A ideia é simples, a web 2.0, web social ou a web no sentido de comunicação interactiva significa que todos podemos contribuir. Criando ou melhorando conteúdos e partilhando-os sempre que nos parece relevante. Podemos criar organizações com uma grande facilidade por ter vários canais à disposição.
Como resultado, a sociedade mudou e temos de reflectir sobre os novos contratos sociais. Seja a respeito do comportamento em sala de aula ou para saber como lidar com novas fontes de conhecimento, como a Wikipédia e os blogs de profissionais da área.
Ainda não decidi, mas sou capaz de pegar em algumas das questões que foram colocadas em próximos posts.
Dito isto, só falta agradecer ao Pedro Custódio com quem partilhei a palestra, à organização da Lan Party e a todos os que estiveram presentes.
A razão pela qual há tanta polémica a respeito do twitter e redes sociais é porque ainda não encaixamos algo muito simples: a tecnologia de comunicação é o que nós fazemos dela.
Mas prefiro explicá-la usando outro exemplo que não o twitter, o hi5.
Eu tive a minha fase em que achava o twitter parvo. E quanto ao hi5 ainda tenho várias reservas. Mas uma amiga minha mostrou-me uma utilidade diferente para o hi5 e outras redes sociais. Estar na lista de amigos dela não é para qualquer um, tornou o perfil confidencial e não aceita “pedidos de amizade” por isso ela é que nos adiciona. E quando tem alguma coisa para partilhar, escreve no Diário ou envia uma mensagem a toda a lista.
Simples e perfeito para se manter em contacto com as pessoas a quem dá valor.
Pode ser feito algo semelhante com um blog. O blogspot por exemplo, permite que o blog seja visível apenas por convite.
E se temos informação nova que tem de ser distribuida por uma série de computadores todos os dias? Vale a pena usar o email? Outra opção pode ser instalar o Yahoo! Widgets e criar uma feed rss a que todos os utilizadores terão acesso.
Isto tudo para dizer que a tecnologia por si só não vale nada. Temos de ser nós a encontrar um contexto onde ela se torne útil. Encontrar esse contexto e a informação essencial torna-se uma das funções dos relações públicas dentro das empresas. Onde a inovação é sempre mais difícil ou mais lenta do que seria desejável.
Fui convidado a ir à Lan Party Moita falar de blogs e Web 2.0. Sendo um tema de que gosto não hesitei muito a dizer que sim. O único problema era mesmo a minha agenda porque sábado e domingo são os poucos dias em que posso descansar. (E que mesmo assim passo geralmente a preparar a semana seguinte…)
Mas agora que está tudo pronto, em que já anotei algumas ideias para falar confesso que tenho algum receio. Se não estão a perceber porquê, vejam o programa de palestras:
Dia 25 - Open Source Video > Ricardo Lobo
Dia 26 - Wokshop Redes Cisco > Rumos Dia 26 - Blogues & Web 2.0 > Bruno Amaral
Dia 27 - Wokshop Linux Prático > João Matos
Portanto, no meio de workshops práticos vamos falar de web 2.0, social media e relações públicas.
Se o grupo for pequeno já sei o que faço, esqueço os slides e outros adereços e esqueço também o modelo de palestra. Sentamo-nos à conversa sobre o impacto que os social media estão a ter em Portugal e já tiveram noutros países.
Sinto que o twitter vai ser um dos temas de conversa, não sei porquê…
Portanto, Sábado dia 26 no recinto da Lan Party Moita. A palestra deve começar às 15h, mas combinei com o Pedro Cavaco aparecer mais cedo, às 14h para ter tempo de falar com o pessoal nas calmas.
Até lá podem deixar as vossas sugestões por comentário ou e-mail. Serão bem vindas!
Já existe desde 1999 mas ainda está bastante actual. Em parte pela falta da capacidade das organizações de reagir com a destreza das pequenas empresas. No caso português, também não podemos esquecer que o acesso à internet ainda não cresceu o suficiente. Pelo menos é essa a ideia que eu tiro do relatório da Obercom. [PDF do documento para download]
No contexto da Web 2.0, o Luis fala-nos de marca em relação à nossa vontade de comunicar e de procurar alguma celebridade. Neste contexto, ele explica que não se trata de querer criar algo novo. Em vez disso estamos a mostrar aos outros de que é que gostamos e com que valores nos identificamos.
Eu vejo a criação de uma marca num sentido semelhante. Para mim, construir uma marca significa escolher e comunicar valores, com a definição de objectivos e com os elementos de imagem.
São dois pontos de vista que não se excluem, muito pelo contrário complementam-se. A única diferença é que para mim, até ler o artigo do Luís, a criação de uma marca era algo consciente.
Grunig, na Teoria de Stakeholders, (capitulo 6) define público/stakeholder como pessoas que se reúnem em torno de uma determinada questão (Issue) que tem de ser “resolvida” com a empresa.
Mas em oposição, encontramos na web uma série de públicos que só se reunem porque gostam das mesmas coisas. Partilham gostos e sistemas de valores. Sem precisarem da empresa para serem vistos como públicos.
Ou seja, Grunig não toca na questão dos sistemas de valores e da forma como os apresentamos pela web. Para ele, os stakeholders e públicos existem na perspectiva da organização/empresa.
É um ponto de vista válido. Mas estes públicos que partilham valores semelhantes e que os demonstram pelo tipo de coisas que fazem na web também têm de ser considerados e são uma influência cada vez maior para as organizações.
Portanto, obrigado ao Luís Soares por me ter feito pensar e ao André Ribeirinho por ter tocado outra vez no assunto e me recordar que tinha este artigo inacabado.
Só não concordo muito com a forma como o Gary Vaynerchuk explica o branding pessoal. A postura dele parece-me exagerada e demasiado feita para vender. Já imaginaram o que é sair de uma palestra daquelas, convencido de que o branding pessoal nos pode transformar num Gary Vayerchuk? E ao fazer isso, deixar completamente para trás a ideia de que devemos pensar nos valores que temos e perceber que a web 2.0 gira em torno da partilha e do diálogo.
Recentemente tem-se falado do crash das dotcom e da evolução da web 2.0. Diz-se que a bolha da web 2.0 está prestes a rebentar. E a razão para isto é o que se passou quando as primeiras empresas começaram a investir em negócios online.
O que despoletou estas preocupações foram os valores astronómicos que algumas empresas arrecadaram ao ser compradas pela google ou pela yahoo. E faz todo o sentido que haja vozes a pedir cautela.
No entanto acho que a Web 2.0 já fez algo mais importante do que criar novas formas de negócio. Mostrou-nos que o relacionamento entre pessoas pode prosperar mesmo nos meios mais frios. E que a produção de conteúdos mais acessível nos traz benefícios. Aprendemos uns com os outros.
Obrigou-nos a repensar as questões de cidadania e da privacidade, fez-nos concentrar em modos de melhorar a nossa qualidade de vida pela tecnologia. Isto acontece pelo simples facto de termos um acesso facilitado à informação. Em vez de recolher factos frios, conseguimos contactar o autor ou contribuir para relacionar esses factos com informação relevante.
A nossa forma de relacionamento em sociedade mudou. E isso vai ter impacto na educação, na forma como surgem as notícias e no modo como as organizações funcionam e escutam os seus públicos.
Para mim, a ênfase da web 2.0 não deve estar nos negócios, mas nas novas formas de relacionamento entre pessoas, grupos e organizações. São essas redes que vão determinar o sucesso ou fracasso de investimentos online e offline. Podem servir de fio de prumo para acções de divulgação ou construção de marcas.
Depois deste post, nunca mais voltas a ver a web da mesma forma. E isso é garantido, lê até ao fim se não acreditas.
Para começar, a web 2.0 chama-se assim porque mudou a forma como a usamos para comunicar. O primeiro modelo era simples, o webmaster comunicava com os visitantes. Hoje em dia o webmaster cria as condições para que o diálogo se processe entre os visitantes.
Mas a web 2.0 não é só isso. É ainda uma série de tecnologias novas que nos permitem duas coisas. Partilhar a informação que encontramos e produzir conteúdos novos sem precisar de conhecimentos técnicos.
Mas acho que o melhor é mesmo a possibilidade de qualquer um pesquisar temas, criar conteúdos e partilhá-los sem esforço. O processo tornou-se tão simples que até um telemóvel pode ser uma ferramenta de blogging, podcast, ou videocast. E os requisitos técnicos baixaram tanto que a idade mínima para um blogger é 8 anos.
E claro, com tantos produtores de conteúdos cria-se um problema de credibilidade e legitimidade para abordar alguns temas. Ligado à qualidade dos mesmos conteúdos. Para isso existem várias métricas, como a quantidade de links e o número de subscritores que são as mais recentes. Algumas métricas mais antigas, como o número de visitantes e as impressões de página ainda são relevantes. Mas estas últimas não medem a influência nem a caracterizam como positiva ou negativa.
Na minha visão da web 2.0 o importante é a produção de conteúdos e a forma como se gera opinião. E ainda a forma como podemos aproveitar a web para criar conhecimento em colaboração uns com os outros. Seja na figura da wikipédia, ou através dos blogs que vão definindo a web 2.0.
É claro que não está tudo dito sobre a web 2.0, mas parte da ideia é essa. Como está de tal maneira ligada à nossa vida em sociedade, a web 2.0 vai evoluir com ela. Isso é cada vez mais visível nos meios de comunicação. Quando os jornalistas optam por criar blogs, quando os blogs são citados ou quando os vídeos de cidadãos comuns são divulgados em telejornais.
E a melhor parte? Não precisas de fazer nada. A web 2.0 foi calmamente instalada no teu sistema à medida que leste este artigo. Para receber os upgrades basta ir participando. E isso é fácil. Comenta nos blogs, diz o que pensas dos vídeos que encontras, colabora na wikipédia, ouve podcasts. As próprias redes sociais como o hi5, o facebook e outras semelhantes usam os conceitos de web 2.0.
Mas como já alguém me disse: se nos limitar-mos a ao hi5 e a redes semelhantes, é o equivalente a estarmos fechados no quarto. Porque é mais do mesmo, não aprendemos nada de novo nem descobrimos coisas novas.