origami crane

É tudo uma questão de contexto

A razão pela qual há tanta polémica a respeito do twitter e redes sociais é porque ainda não encaixamos algo muito simples: a tecnologia de comunicação é o que nós fazemos dela.

O David Rodrigues escreveu um artigo muito interessante a respeito do twitter que se relaciona com esta ideia.

Mas prefiro explicá-la usando outro exemplo que não o twitter, o hi5.

Eu tive a minha fase em que achava o twitter parvo. E quanto ao hi5 ainda tenho várias reservas. Mas uma amiga minha mostrou-me uma utilidade diferente para o hi5 e outras redes sociais. Estar na lista de amigos dela não é para qualquer um, tornou o perfil confidencial e não aceita “pedidos de amizade” por isso ela é que nos adiciona. E quando tem alguma coisa para partilhar, escreve no Diário ou envia uma mensagem a toda a lista.

Simples e perfeito para se manter em contacto com as pessoas a quem dá valor.

Pode ser feito algo semelhante com um blog. O blogspot por exemplo, permite que o blog seja visível apenas por convite.

E se temos informação nova que tem de ser distribuida por uma série de computadores todos os dias? Vale a pena usar o email? Outra opção pode ser instalar o Yahoo! Widgets e criar uma feed rss a que todos os utilizadores terão acesso.

Isto tudo para dizer que a tecnologia por si só não vale nada. Temos de ser nós a encontrar um contexto onde ela se torne útil. Encontrar esse contexto e a informação essencial torna-se uma das funções dos relações públicas dentro das empresas. Onde a inovação é sempre mais difícil ou mais lenta do que seria desejável.

O Twitter e o IRC

Eu sou incapaz de explicar o twitter sempre da mesma forma. Geralmente tento pensar numa situação habitual para a pessoa com quem estou a falar e aplico o twitter como forma de facilitar a comunicação com um grupo de pessoas mais distantes.

Mas no outro dia estive a comparar o twitter a algo mais antigo, o IRC. Curiosamente, pouco depois o Zone41 descaiu-se com esta:

A minha ideia é que o twitter é de facto como o IRC.

Para quem não se recorda, o IRC é Internet Relay Chat. Usava-me o mIRC para ligar a um servidor e depois entravamos num canal para poder conversar.

Com o tempo, foram criados bots para dinamizar os canais. Programas de computador com funções interessantes: saudavam os recém chegados, faziam pesquisas no google através do IRC, partilhavam ficheiros…

Hoje, o equivalente a esses bots é o http://twitterfeeds.com/ que pega numa feed rss e vai actualizando o twitter com o conteúdo dessa feed. Os bloggers têm usado esse serviço como forma de promover cada novo post no twitter. Algo que sinceramente me incomoda.

Quando sigo alguém no twitter, geralmente já sou subscritor do respectivo blog. Por isso os updates do twitter feeds são apenas ruído. Não acrescentam nada de novo. E dai que eu adopte a mesma postura que o remixtures:

Remixtures \

Ao mesmo tempo cada vez gosto mais do potencial do twitter. Tenho pena que não haja forma de criar canais como no irc. Mas o uso de tags e de serviços como o twemes.com mostra bastante potencial. Permite que se crie um diálogo e por consequência um grupo temporário enquanto durar a razão de se “juntarem”.

Para mim, a definição do twitter depende portanto do uso que lhe quisermos dar. No entanto concordo com o Bruno quando se refere ao twitter como ferramenta para facilitar o diálogo.

Euroblog, Uma conferência diferente

O Euroblog foi uma experiência tão rica que me deu imensa pena ter de o ver terminar. E como conferência teve um dinamismo que nunca tinha visto antes.

Não me foi possível aceitar o convite do Phillipe Borremans para fazer a “live coverage” devido às dificuldades da rede wifi. Mas acompanhei a conferência de outras formas, tendo o twitter sido a principal.

Enquanto os apresentadores comunicavam as suas ideias à plateia, a plateia trocava ideias através do twitter e criava novos laços entre si. E nas situações de debate esta dinâmica era ainda maior. A plateia podia comunicar entre si, com o moderador e com os convidados sem interromper o fluxo de ideias e contribuindo com conteúdos relevantes.

Mas a conferência não se limitou às quatro paredes. Chegou a ser acompanhada na Nova Zelândia, altura em que eram 4 da manhã. E graças à intervenção do Live Blogger Phillippe Borremans, foi possível responder às perguntas que nos chegaram.

Um tema geral para a conferência foi a autenticidade das empresas no seu relacionamento e comunicação com os consumidores. Algo que implica uma enorme transparência e uma revisão de vários paradigmas de comunicação das empresas. Um dos obstáculos a essa postura é a necessidade de manter uma vantagem competitiva. Essa vantagem é mais díficil de manter se as outras empresas não adoptarem a mesma postura.

Também se colocou em causa o anonimato na blogosfera. Admitindo alguns casos em que é compreensível por medo de represálias e vontade de chamar a atenção para assuntos importantes.

Mas o meu conselho é que aproveitem o Wiki do Euroblog, onde começam a ser colocadas as apresentações.

Uma das coisas que notei mais, foi a diversidade. Tanto nos oradores como nos papeis e na origens de cada um. E sendo o único Português, senti o desequilíbrio de informação que o Richard Bailey menciona no PR Studies.

LPM vs Strat na análise da campanha eleitoral

A Meios e Publicidade publicou uma notícia com o título Profissionais Chumbam Campanha Eleitoral de Lisboa.

Quanto ao que é dito, nenhum dos profissionais citado no texto mencionou que esta campanha chegou a usar o second life e o twitter como canal de comunicação. De facto f Foram iniciativas que tiveram pouco efeito. Excepto o Second Life que ganhou eco em vários blogs dando a conhecer a banda Produto Acabado.

Luis Paixão Martins optou por responder à notícia através do seu blog. Não encontrei reacções a essa notícia pelo google. Mas mais tarde surgiu outro post no blog com um e-mail de Jorge Marques da Strat.

Não sei quais são as dinâmicas por trás da notícia e das reacções à mesma. Mas a LPM teria beneficiado mais em apresentar argumentos opostos e que complementassem a notícia.

Se o tivesse feito, teria mostrado profissionalismo e incentivado o diálogo. De certeza que Luis Paixão Martins teria sido capaz de se destacar como mediador desse mesmo diálogo. Em vez disso, perdeu a oportunidade e mostrou os atritos que existem entre a LPM e outras empresas de Comunicação.

[update: clarifiquei o segundo parágrafo. A iniciativa do second life não fez parte da campanha eleitoral mas surgiu na mesma altura]