origami crane

Barcamp e Shift

Mais um post sobre eventos.

Desta vez temos o Barcamp de Coimbra dia 6 e 7 de Setembro, seguido das conferências e workshops da Shift deste ano.

O que é o Barcamp Portugal?

O Barcamp Portugal nasceu em 2006 e pretende ser um ponto de encontro de gente que se junta para falar nos mais variados temas que, normalmente, gravitam em torno de Inovação, Empreendedorismo e Web.

Para quem não conhece, o Barcamp é bastante interessante porque nada é planeado em detalhe. Há muito improviso e qualquer pessoa pode sugerir e apresentar temas.

No Barcamp da FCT notei que os temas tendem a girar muito em torno da tecnologia web, é inevitável. Mas foi interessante ver as apresentações que se relacionavam mais com a criação de empresas e venda de serviços.

SHiFT - Social and Human Ideas For Technology

Por sua vez, a Shift 2008 realiza-se de 15 a 17 de Outubro, e o programa parece-me bastante interessante.

Por enquanto, a inscrição fica em 144€, 90€ para estudantes, apartir de setembro fica em 240€ e 150€ respectivamente.

Também sobre a Associação de Bloggers

Para quem não tem interesse por blogs, basta dar um olho na pesquisa do technorati por associação de bloggers. Fica-se logo a perceber a ideia e algumas das questões que ela coloca.

Da minha parte, uma associação de bloggers terá todo o apoio. Mas por uma razão de sanidade mental tenho de colocar algumas perguntas incómodas.

No primeiro post do Bitaites sobre o tema explica-se bem as razões por trás do PTblogs e alguns objectivos da Associação.

Um deles é destacar os bons blogs, e isso passa por credibilizar os blogs como forma de comunicação. Para contrariar a perspectiva redutora que surgiu numa reportagem da Sic.

Segundo o website official, a PTBlogs tem também o objectivo de unir os bloggers.

proporcionando espaços de discussão e formas alternativas de transmitir uma mensagem que de outra forma seria dispersa e desagregada, ficando presa somente nos blogs individuais e iniciativas de cada um de nós.

Neste ponto começo a ter as minhas dúvidas, principalmente quando se começa a falar do “porquê” e “como”.

O “porquê” começa por ser simples, trata-se da reacção à perspectiva que os meios de comunicação têm dado dos blogs. Mas o que se quer é mostrar uma realidade diferente ao público geral.

E não sei até que ponto estamos a escolher a melhor forma de o fazer. Em Portugal temos uma tendência especial para criar associações, e ao mesmo tempo uma predisposição para desconfiar das associações.

Também não nos podemos esquecer que os blogs são dificeis de por em categorias ou caixinhas. Como é que a associação espera representar os respectivos bloggers?

Ainda não se falou de registar ou não a associação, mas se for feito surgem outros desafios: definir o conceito de blogger; a forma de eleger uma direcção; o financiamento; e até uma questão de privacidade para bloggers que querem pertencer à associação mas ter os seus dados protegidos.

Pode parecer-vos estranho, mas eu não estou contra a associação e apoio a iniciativa no que puder. Mas ao mesmo tempo sinto-me obrigado a apelar a alguma reflexão mais realista dado o entusiasmo. Com que se fala da iniciativa.

Na minha perspectiva, os blogs são importantes e interessantes em parte devido ao caos. E tentar trazer alguma estrutura pode limitar a dinâmica, mesmo que essa estrutura seja uma associação. Mais que não seja porque divide as águas em termos de bloggers associados e não associados.

Carta para uma melhor comunicação na Justiça

O blog Estado da Arte foi actualizado no final do Encontro do Departamento de Comunicação Organizacional da ESCS.

A actualização é a publicação de uma carta aberta para uma melhor comunicação no campo da Justiça que pode ser lida em PDF.

O post evidencia parte do texto:

As relações públicas agem sobre a compreensão do papel dos diferentes actores do processo da justiça e sobre as modificações necessárias para os cidadãos se tornarem actores de comportamentos mais justos quer por se recusarem a legitimar os julgamentos em praça pública, por agirem no estrito cumprimento e respeito pela lei ou por advogarem em favor da mudança de leis injustas.

Este género de medidas torna-se importante também por causa da discussão que se gerou em Portugal acerca do segredo de Justiça e da Reputação das Autoridades Portuguesas. Especialmente durante o desaparecimento da Maddie.

Encontram mais sobre o tema da Madie no PR Conversations.

Global Pr - Associação Internacional de Relações Públicas

logotipo da apecom - www.apecom.ptFalta-nos uma associação profissional de relações públicas activa. Uma que possa regular os profissionais de RP e garantir que eles têm uma formação adequada. No campo das empresas, esse trabalho devia ficar a cargo da APECOM, no que diz respeito aos profissionais, devia ser a ARPP.Associação de Relações Públicas de Portugal

Na falta de uma, resta-nos a Global PR. Os objectivos desta associação traduzem-se por integrar as diferentes manifestações da profissão num clima de diálogo. Incentiva-se a troca de informação, tenta-se estabelecer padrões de ética e profissionalismo.
Se formos ver o website da Global PR encontramos uma lista de membros na Europa. E nem a APECOM, nem a ARPP estão na lista. Numa altura em que se assinou o Tratado Europeu acho que isto não se admite.

Para os profissionais de relações públicas isto implica várias questões:

  • Qualquer um pode assumir o titulo profissional de “Relações Públicas” sem ter formação na área.
  • Não existe nenhum vinculo aos códigos de ética e de deontologia além do bom senso e integridade pessoal
  • Os estágios são realizados consoante as regras das empresas e não com base num padrão comum obrigatório.

Temos então dois tipos de profissionais, os que possuem a formação e mostram integridade. E os falsos profissionais de RP que mesmo assim exercem e até prejudicam a imagem da profissão.

Para os cidadãos em geral,

  • Significa que não há “controlo de qualidade” quanto a quem pratica RP. Isso prejudica a qualidade das notícias que lêem e dificulta a comunicação com as organizações.
  • Pode até impedir a transparência do processo democrático devido a práticas menos claras de lobying.

A solução para isto?

Da parte da APECOM parece-me importante começar a responsabilizar a Associação pela falta de comunicação com o público. Porque, mal por mal, ainda se realizam eleições para a APECOM. Quanto à ARPP, essa certidão de óbito está assinada há muito tempo e precisamos de algo completamente novo.

Global Pr Alliance - Associação Internacional de Relações PúblicasEnquanto isso não acontece, o meu conselho é usarmos a Global PR como bússola. Existe uma newsletter que nos dá uma ideia do panorama de Relações Públicas que pode ser um bom recurso.

Ser Relações Públicas em Portugal

Ser relações públicas em Portugal significa arriscar. Arriscamo-nos a ser mal interpretados pelas pessoas ao dizer “sou relações públicas”. Ainda nos vêm como a personalidade das festas, aquele que conhece muita gente e de quem toda a gente gosta.

É uma visão redutora que infelizmente é muito comum. Ser Relações públicas é ser muito mais. Ser RP é ser perito em comunicação. Comunicação entre pessoas, empresas, grupos, meios de comunicação. É ter a dinâmica que nos permite gerir meios e canais de comunicação nos contextos mais variados.

Arriscamo-nos também a concorrer num mercado que ainda não actualizou a definição de relações públicas, a enviar curriculos para empresas que ainda não entendem o valor da profissão.

Em Portugal chega a ser raro encontrar anúncios de emprego que digam mesmo: Relações Públicas. Em vez disso, os anúncios aos quais podemos concorrer pedem webdesigners para gerir intranets, marketeers para acções de comunicação interna, jornalistas para trabalhar em newsletters. Temos de saber descodificar estes anúncios. E mesmo que o nosso currículo passe a primeira fase de selecção, é difícil transpor a barreira do senso comum que vê o RP como anfitrião de festas e outros eventos.

Também arriscamos a nossa carreira porque apostamos numa profissão que ainda não é devidamente representada e legislada. As associações de relações públicas que existem em Portugal estão adormecidas. Há poucos encontros e conferências que se dediquem apenas a Relações Públicas. Há poucas actividades destinadas a remediar a visão errada de RP que se generalizou e de que tanto nos queixamos.Mas ao mesmo tempo é arriscar numa profissão cheia de potencial e de oportunidades. A web trouxe um fôlego novo para as RP e a geração actual de profissionais tem a possibilidade de mudar o panorama por completo.

E não é difícil. Basta que os blogs cresçam, que surjam eventos de relações públicas que não venham mascarados como conferências de marketing. E acredito que isso vai acontecer quando deixarmos de esperar que as associações de RP portuguesas lutem por nós.

As Relações Públicas na manutenção da Imagem Institucional

apple portugalJá não é a primeira vez que vejo um post sobre a assistência técnica da Apple em Portugal. Mas é a primeira vez que vejo um blog falar do tema e ter tanto eco na blogosfera.

Estou a falar do blog Spinning BeachBall.

Se fosse outra empresa qualquer, eu provavelmente não estava a escrever este post. Mas sendo a Apple sinto-me quase obrigado. Sinto que é importante por ser uma empresa que se tem mostrado tão focada nos clientes e que tem pessoas como Guy Kawasaki a defendê-la.

Este género de falhas pode minar a imagem institucional e a longo prazo fazê-la cair por terra. Principalmente se tivermos em conta que a vodafone está a negociar com a Apple para vender o iPhone na Europa. Portanto, este apoio ao cliente não vai ser só para quem comprou macbooks, iPods ou iMacs, vai atrair uma série de novos utilizadores.

Vai ser preciso resolver questões que se prendem com a qualidade do serviço pós-venda. No caso do iPhone, não sei se será a interlog ou qualquer um dos operadores móveis a encarregar-se disso. De qualquer modo, haverá mais pedidos de serviço pós-venda e terá de ser tudo coordenado entre a Apple, a Interlog e o operador Móvel.

No caso dos blogs, a Apple Portugal poderia tomar várias medidas para esclarecer o público em geral e especialmente os seus clientes. Estou a torcer para que isso aconteça.

Tubarão Esquilo

A polémica que se gerou não faz grande sentido para mim. Os bloggers preocuparam-se em frisar que a Tubarão Esquilo (TE) não é a primeira rede de blogs. Não tomo partidos na discussão porque não concordo com o tom com que a conversa se processou e porque entendo muito bem os dois lados da questão.

Não importa se é a primeira, importa que  foi um esforço organizado de criar blogs e lhes dar rendimento. Parece que só se falou de planetas e agregadores de blogs versus a rede TE por existirem alguns atritos com o impulsionador do projecto, o Paulo Querido.

Acho bom que o projecto tenha conseguido entrar na agenda dos jornais diários, acho igualmente bom que os bloggers tenham mencionado que existem projectos semelhantes há mais tempo. No seu conjunto, isto ajuda a mostrar ao público geral que os blogs podem ser projectos muito sérios, sem entrar em disputas ou rivalidades pessoais e criando conteúdos de qualidade.

Não sei como será o impacto na blogosfera portuguesa, mas é possível que venham a surgir sinergias interessantes daqui para a frente.