origami crane

iDJ - Os Novos Spin Doctors

Para que ainda não sabe ou apenas tem uma ideia vaga do que são spin doctors, recomendo novamente o podcast de Ira Basen - The Century of Spin.

Para quem se sente familiarizado com o conceito, a pergunta é : então de que modo é que a ideia de spin doctors pode afectar a blogosfera?

A minha proposta para responder pode ser exemplificada no relato que o Marco fez da exposição de Guillermo Habacuc Vargas.

Neste caso, foi proclamada a morte de um cão em nome da arte. Houve reacção dentro e fora dos blogs, até que se percebeu que a exposição era encenada e o cão era alimentado quando a galeria fechava. Neste caso os bloggers não tinham forma de confirmar a informação que recebiam e apenas a ecoavam com comentários pessoais.

Os bloggers são uma grupo muito variado, mas muitos não são formados em comunicação quanto mais jornalismo. Não quero dizer que esta característica seja essencial para ser blogger. O meu argumento é que um blogger com formação em jornalismo está menos vulnerável a técnicas de spin. Pelo menos em teoria, mesmo os jornalistas com anos de experiência fazem formação para lidar melhor com o spin.

A diferença principal entre o spin para jornalistas e o spin para bloggers esta na agenda e na pressão do ciclo editorial. Um jornalista tem prazos a cumprir, os bloggers só se apressam quando querem apanhar a onda de tráfego criada pela agenda da blogosfera.

Além disso, um blogger influente tem tendência a não se relacionar tanto com os relações públicas. Queixam-se principalmente de que os relações públicas lhes enviam material que não tem relevância para o seu blog. Curiosamente é uma das principais queixas dos jornalistas. Mas uma morada de e-mail é sempre mais fácil de bloquear do que um número de telemóvel ou de contacto com a redacção.

the science of musicAs formas de fazer spin para os bloggers vão passar por aproveitar os temas quentes da blogosfera ou por criar pseudo-eventos (como foi o caso da exposição de Habacuc). E por conhecer bem os bloggers influentes para lhes dar informação privilegiada e de confiança.

Este modelo de spin na blogosfera tem em conta o perfil dos bloggers como Information Jockeys. Uma ideia do Mário Andrade no MuioMuio.

A blogosfera de comunicação

Parece um pleonasmo não é? A blogosfera implica sempre comunicação. Mas quando digo blogosfera de comunicação, refiro-me aos blogs de quem está na área de comunicação.

Esses bloggers podem ser:

  • jornalistas
  • políticos
  • Geeks
  • estudantes de comunicação
  • agências e profissionais de comunicação

Não é por acaso que deixei as Agências para o fim. Mas já vão perceber.

Quando comecei a ouvir falar de blogs, eram algo pessoal. As pessoas queriam partilhar algo com os amigos ou familiares de modo mais eficaz. Ter um pequeno diário público. Mas mais tarde já me falavam em blogs de jornalistas, lideres de opinião e comentadores políticos.

Claro que quando estes chegaram à blogosfera, já havia vários blogs geeks. A falar de tecnologia e a ensinar informática. Inevitavelmente, estes blogs falam das novas formas de comunicação que vão surgindo. Como o twitter, o impacto do youtube ou outras iniciativas típicas da web 2.0.

Os blogs de estudantes de comunicação foram surgindo muito abaixo do radar. Não são tantos como seria de esperar, ou pelo menos não se concentram tanto no tema.

Recentemente notei que as agências de comunicação entraram para a blogosfera. Estão a usar os blogs para vários fins. Desde expor os seus trabalhos, a comentar o panorama de comunicação.

A entrada das agências e de pessoas que trabalham diariamente em comunicação está a dar uma dinâmica nova aos blogs que conheço.

Mas curiosamente, quando penso no assunto não me consigo enquadrar em nenhum dos campos. Por um lado sou estudante, mas também trabalho na área. Para aumentar a confusão, considero-me um geek 2.9.

As relações públicas também vendem, e não é só noticias

Principalmente quando se trata de histórias e de jornalistas. É preciso criar um ângulo interessante, compreender os diferentes públicos de cada publicação, ter paciência e evitar abordagens agressivas.

Este é o campo da assessoria de imprensa, das relações com os media. E pode ser medido se prestarmos atenção aos press releases enviados e às noticias que surgem nos jornais.

Como serviço, este deve ser o mais vendido pelas agências de relações públicas. Mas há muitos outros. Temos áreas de gestão de reputação, consultoria, pesquisa de opinião, gestão de crise e uma série de outras.

A web social abanou estes conceitos quando inseriu a necessidade de relacionamento com os bloggers, análise de tendências online, aconselhamento de empresas criadas sem qualquer suporte físico e a criação de redes para a comunicação interna.

E se estivermos a pensar numa empresa e no contacto com o público, as relações públicas ainda estão muito presas aos conceitos tradicionais.

Mas visto que uma organização comunica com vários públicos a questão que se coloca é : O que a web 2.0 nos ensinou pode ser aplicado a toda a comunicação da empresa ?

Eu acho que sim, se se tratar de comunicação orgânica. Orgânica no sentido em que surge naturalmente, pelas reclamações dos clientes e outro feedback. Mas se tomarmos outras organizações como públicos a avaliação é outra.

As empresas não comunicam entre si de modo orgânico. Em vez disso criam processos para o fazer. E enquanto eles funcionarem vão manter-se fieis aos mesmos. Porque as empresas só inovam quando a inovação dá provas de estabilidade e de ser mais do que uma moda.

As maiores empresas de relações públicas tendem a ter grandes empresas como clientes. E geralmente é o serviço de relações com os media que vende mais. E estas empresas não apostam noutros serviços porque esses ainda são pouco procurados. Porque no campo empresarial a web 2.0 ainda precisa de dar provas e de identificar aquilo que é moda e o que está cá para ficar.