origami crane

O ciclo de opinião e notícias

No post de ontem, falou-se de Spin Doctors e de como os bloggers também estão vulneráveis às mesmas técnicas.  

Em sequência surge a pergunta: como é que se mantém a imparcialidade da blogosfera?

Pela diversidade de opiniões e contando com o papel dos jornalistas para fazer uma investigação mais cuidada. Os bloggers podem dar o mote e a informação em bruto, os jornalistas entrarão em cena quando for altura de confirmar os factos, apresentar os dois lados da questão e até as conclusões possíveis para que cada um decida por si.

Neste esquema, um tema começa nos jornais ou nos blogs, conforme o canal de onde a informação chega, e o propósito da comunicação inicial por parte das agências de relações públicas. Na primeira manifestação online é visualizado, comentado e partilhado. Percebe-se que o tema tem interesse conforme o número de visualizações (pageviews), comentários, links e outras formas de partilhar conteúdo. Aqui podemos notar uma opinião espontânea.

Se ficar provado que o tema tem interesse o público é sujeito a mais investigação por parte de jornalistas e de bloggers com interesse pelo tema e acesso privilegiado a fontes. Nesta segunda ronda é que são acrescentados factos e apresentados os diferentes pontos de vista. Aqui já se começa a forma uma opinião mais informada e menos reactiva.

Mas não me parece que este modelo seja estanque. Porque ao mesmo tempo os pro-bloggers estão a tornar-se mais rigorosos na investigação e já não se limitam só às fontes de informação online. De qualquer modo, este modelo concentra-se no volume de tráfego que um determinado tema gera.

E se um tema não criar visitas suficientes? Significa que morre mesmo que tenha interesse para uma minoria?

Não necessariamente. Pode acontecer que um tema não tenha seguimento possível. Como por exemplo a noticia de um crime e da captura dos criminosos. Mas quando há seguimento possível e não há visitantes/tráfego directamente associados, entram em jogo os blogs de nicho.

Como exemplo prático, temos o Pedro e o Blog ou o LowCost Portugal. O primeiro é um blog sobre finanças pessoais, o segundo trata apenas do tema das companhias aéreas Low Cost.

Uma notícia de um destes dois temas pode não trazer tráfego relevante a um site como o do Diário de Noticias ou o Público, nem mesmo para um blog generalista e influente. Mas tem valor para um blog de nicho. Estes blogs são geralmente iniciativas de pro-blogging que por vezes ocupam os primeiros lugares das pesquisas pelo tema que abordam. À medida que estes blogs crescem, vão reunindo leitores regulares e influência como líder de opinião para aquele tema.

Estes blogs de nicho vão ser especialmente importantes para garantir que esta notícia não passa despercebida e que chega a um público para quem tem valor.

O 24 Horas, a Fujitsu e a Fujitsu-Siemens

Antes de mais, o disclaimer:

No momento em que escrevo este post trabalho para a Fuijtsu Services do Reino Unido, na Desk Ask Fujitsu.  No entanto, o artigo que se segue refere-se à Fujitsu Portugal. O mesmo artigo é apenas a minha opinião pessoal e não reflecte qualquer opinião da Fujitsu.

Este post surge por causa de uma noticia do 24 Horas, com o título “Computador não queria funcionar”. Infelizmente não consigo indicar-vos o link para a noticia original mas um excerto:

Há quem diga que o barato sai caro. Para Iola Pereira este é um ditado que estava a tornar-se demasiado verdade. A professora de Educação Física decidiu aproveitar o programa e.escola da TMN para comprar um computador (um FUJITSU) com acesso à Internet por 150 euros. Só que a grande oportunidade revelou-se um pesadelo.

O que faltou nesta noticia foi confirmar algo muito simples, o nome do computador. No site da TMN mostra-se claramente que o computador em causa é um Fujitsu-Siemens. A diferença? São duas empresas diferentes. A Fujitsu-Siemens só tem esse nome porque inclui capital da Fujitsu.

No entanto é a Fujitsu que vai ficar na mente dos leitores como a empresa responsável por este computador. Quando na realidade, o que a Fujitsu faz é prestar serviços de IT para outras empresas e não vende para o mercado doméstico. É um erro simples por parte da Jornalista que escreveu a noticia que acaba por custar bastante caro em termos de Reputação.

Quanto ao direito de resposta. Esse fica tema para outro post, porque hoje em dia me parece que o custo de exercer esse direito se torna pouco eficaz.

Em nota pessoal, estes problemas de reputação só surgem devido ao nome Fujitsu-Siemens. Se a Fujitsu tivesse criado uma nova marca para o mercado doméstico ia facilitar a identificação por parte dos consumidores. Imagino que a motivação inicial tenha sido tentar aproveitar a boa reputação da Fujitsu para beneficiar a Fujitsu-Siemens.  Do meu ponto de vista isso não está a acontecer e a Fujitsu fica mais conotada com o mercado doméstico do que com a prestação de serviços de IT a grandes empresas.