A iniciativa partiu de Robert French (twitter) que escreve no Auburn Media e tem vindo a ganhar fôlego nas duas margens do Atlântico. Para acolher todos os membros que não têm o Inglês como primeira língua, foi criado um grupo de nome English is not my 1st language.
E se pensam que Portugal não tem grande expressão nesta comunidade, enganam-se. Depois de mostrar o link à minha turma, muitos optaram por se registar no PR Open Mic. E a Flávia que escreve o Noticiare ficou a conhecer a comunidade pelo twitter também está presente.
Se tiverem interesse por relações públicas, juntem-se ao debate. E se forem leitores do blog não hesitem em adicionar-me aos vossos contactos.
A base da chamada web 2.0 é a ideia de que toda a gente pode contribuir para os conteúdos que já existem e até criar novos. Esses conteúdos são tudo, desde fotografias, música, texto ou multimédia. Consoante os temas e os conteúdos em causa, formam-se comunidades, geram-se diálogos e a figura do editor e do gatekeeper perde força. A qualidade dos conteúdos é regulada pela comunidade.Questões como a escolha de produtos e serviços também se tornaram razão para debate e diálogo alargado. Comparamos preços e produtos, trocamos experiência e conhecimento a respeito das empresas. E foi aqui que o marketing começou a perder terreno para as relações públicas.
A diferença entre conversar com um vendedor e um cliente é óbvia. Geralmente identificamo-nos mais com o cliente e atribuimos-lhe um papel mais imparcial. Do vendedor esperamos que ele tente defender a qualidade do produto e justificar o preço. Além do mais, o vendedor nem sempre tem conhecimento de causa. Pode ter vendido várias unidades do produto e nunca o ter usado.
Isto passou-se durante muito tempo, quando a Rede ainda era jovem. O marketing tinha o seu campo garantido porque lida com as questões de posicionamento do produto, redes de distribuição, locais de venda, preço…
Neste novo clima de diálogo constante as relações públicas sairam dos bastidores. Tornaram-se mais importantes na decisão de compra. Entre as suas várias funções, as Relações públicas ocupam-se da imagem que a empresa e os produtos têm nos meios de comunicação, garantem que a informação que existe sobre os produtos é a correcta e ocupam-se de uma série de questões ligadas ao serviço pós venda.
Quando a Matell enfrentou uma crise criada pelo uso de tinta com chumbo no fabrico de brinquedos, foi necessário lançar uma comunicação sólida sobre o sucedido. Nos casos em que isso não aconteceu, a informação deflagrou pela web impulsionada por todos os que contribuem diariamente para a web 2.0.
Enquanto que o Marketing se ocupa mais das questões práticas, as relações públicas sempre tiveram o seu foco na comunicação. Entre as pessoas e com as pessoas. O novo perfil do consumidor tem uma preocupação maior com essas questões. Quer conhecer as empresas, os produtos e serviços. Para isso não se concentra nas mensagens que recebe da organização, que considera parciais à partida. Em vez disso dá mais importância ao que conhece de outros clientes, ao que lê nos jornais e à restante informação que lhe chegue de terceiros. Geralmente mais imparciais que os vendedores ou os marketeers.
Laura Ries soube sintetizar esta ideia muito bem quando defendeu as relações públicas em oposição ao marketing viral.
I am not passing on a self-serving message from a company. I am passing along an endorsement by the Wall Street Journal about a product. Big difference.
É frequente ouvir dizer que as empresas devem mudar o seu foco de atenção, do produto para o cliente.
Da mesma forma, o cliente mudou o seu foco de atenção. Concentra-se na mensagem que lhe chega da comunidade dá menos atenção ao que lhe diz o marketing e a publicidade.
No Marketing faculty falou-se de marketing tribal. De usar um grupo de consumidores para promover e estimular uma marca. É um post muito bom, aconselho a leitura.
Só não concordo com o termo tribal. Este género de estratégia cria comunidades, muitas vezes dispersas no espaço. Algumas encontram-se online, como é o caso dos entusiastas da Apple, fans do Nuno Markl ou ouvintes de uma rádio. Criar e manter uma comunidade tem de ser um trabalho de Marketeers e RP’s.
Os primeiros compreendem o mercado, os segundos a comunicação dentro e fora da comunidade. Existem hierarquias e lideres de opinião, membros entusiastas e outros que os seguem. E se a componente online for muito forte, depressa chegamos à ideia de SEO-PT que o Sérgio Rebelo defende:
Eu tenho uma visão mais ampla e para mim o SEO inclui o SEO clássico (para
os motores de pesquisa), o SMO (Social Media Optimization) e as Relações
Públicas, que têm a ver com a forma como tu abordas e manténs os teus
leitores/clientes. tudo isto no sentido de maximizar as visitas ao teu site,
independentemente da motivação financeira, fama, etc.