July 20th, 2008 — Relações Públicas

Sempre que encontro algum código de conduta de uma agência, tento ler com o máximo de atenção. Especialmente se for dirigido aos bloggers.
Mas em Portugal não se tem visto muito neste campo. Conheço o código de conduta da Lift, que ainda está em fase inicial. E contribui com alguns comentários para o código de conduta do PTblogs, uma iniciativa do Armando Alves.
Nos dois casos há falhas que só percebi depois de uma conversa com o professor Thomas Pleil.
Em nenhum dos casos se pensou nos aspectos culturais.
E respeitar a cultura não significa apenas aceitar as diferenças, significa também tomar medidas para que a comunicação seja de 1 para 1, simétrica e horizontal. Simétrica por ambas as partes estarem na pose da mesma informação e horizontal para não haver desniveis de hierarquia.
É bastante fácil para alguém com experiência de trabalho numa agência de comunicação retirar vantagem das diferenças culturais. Sejam entre países ou regiões.
Outro aspecto que ficou por considerar foi a obrigatoriedade de publicação. Se uma agência contacta um blogger é preciso que ele esteja a par de que não é obrigado a publicar um artigo positivo. De facto, não é sequer obrigado a publicar o que quer que seja.
No entanto, o contacto com um blogger pode não ser apenas um email. Pode ser um convite para um evento, a participação numa visita guiada ou outro género de interacção. Imaginem por exemplo uma visita a uma exposição de carros de luxo, patrocinada por uma das marcas. Se dermos os moldes certos a esta visita, o blogger facilmente se sentirá moralmente obrigado a escrever algo. E se se tratar de um blogger de outro pais, as diferenças culturais podem fazê-lo sentir-se forçado a escrever algo, como forma de retribuir toda a hospitabilidade.
Este género de questões também surgem na interacção com os meios de comunicação social mais tradicionais. A diferença é que um jornalista tem uma redacção como guia e sabe gerir a relação com a agência.
April 16th, 2008 — Relações Públicas, agências
Segundo a Flávia, este tema apenas foi comentado nas conversas da Unicer.

E a razão para isso é compreensível, é algo que ainda não foi pensado pelas agências de Relações Públicas.
Mas vamos desmontar a questão. No passado, as agências de relações públicas só tinham de comunicar com Jornalistas e outros empresários ou profissionais de comunicação. Com a web 2.0 isso mudou.
Hoje em dias as agências de comunicação têm de comunicar com bloggers de nicho por exemplo. E nem todos encaixam na categoria de pro-blogger ou adoptam a postura critica desejável. E nem precisam, escrevem sobre o que gostam e são pessoas que podem viver muito bem sem as agências de Relações Públicas.
Quando um relações públicas contacta com um jornalista está numa posição de igualdade. O jornalista está ciente do seu papel e do papel do seu interlocutor. Mas quando não se trata de um jornalista e de um blogger o caso muda. Os bloggers não conhecem o meioe um relações públicas pode facilmente aproveitar-se da posição de superioridade. Da mesma forma, em caso de se sentir enganado o blogger não tem a quem recorrer para reclamar ou pedir justiça.
Já mencionei aqui no Relações Públicas que os bloggers precisam de um código de ética e acho que esse já existe. Apesar de não ser explicito é algo que coordena uma postura de auto-regulação.
Do lado dos relações públicas é que a falha é maior, principalmente em Portugal. Portanto fica aqui o desafio às agências: assumam princípios de ética no relacionamento com os bloggers e comuniquem-nos.
Nem se trata de algo novo, a Ogilvy já tomou essa medida.
March 29th, 2008 — Relações Públicas, en

Unicer Talks is a conference taking place on the 10th of April. It could easily serve as a case study on how blogger relations can fall short even when the intentions are good.
This past Wednesday I came across a referring url that pointed to a draft of what is now http://www.conversasunicer.net/. It belongs to Unicer, one of our largest companies. After spreading it through twitter, we saw the content take shape. We learned who the speakers are and what would be discussed exactly.
According to Conversas Unicer, the objective is to discuss corporate communication and management. A few issues come into mind:
First, just the use of the term “Problem”. As a blogger this doesn’t make me feel comfortable, at all. Using a word like “challenge” would have been much more appropriate. But that is just part of the issue.
For an event wishing to nurture the debate, they chose the right bloggers to participate as speakers. Bruno Giussani , António Granado , Eduardo Correia , Luís Paixão Martins , Maria João Nogueira and Paulo Querido.
But the timing of the communication seems all wrong to me. April 10th, when the talks take place, is a thursday. So, how can other bloggers participate when most of the time they are full time workers? And if I hadn’t discovered the blog when it was just a draft, when would it be publicized?
Unicer as also been diligent in participating in the discussion taking place in blogs to make it’s point. Encouraging feedback and criticism. That is admirable and my congratulations for that.
But now for some details on how everything relates. One of our biggest Public Relations agencies is LPM Communication. And one of their clients is Unicer. That alone means nothing, but one the speakers is Luís Paixão Martins, who owns LPM Communication and writes a blog on public relations. He is with no doubt relevant to the debate. But this relationship should have been pointed out from the start.
On the comment box, Nuno Almeida from LPM pointed out that their transparency is total. I disagreed based on their lack of mentioning the part LPM is taking on the event.
For a few final ideas:
- The event should have been made public long ago. To give bloggers time to contribute with usable suggestions and constructive criticism. At the moment, the event seems constructed with three things in mind. The growth of the number of blogs, Unicer’s work on that field, and LPM’s work in the field (with a bit of self promotion apparently).
- It is impossible to be 100% transparent. What we can do is give people the tools and the opportunity to find all the information that gets left out for some reason.
- Unicer is making a good effort, but could do a better job in involving bloggers.
March 27th, 2008 — Blogging, Relações Públicas, agências
O diálogo entre os bloggers começou no twitter e em menos de uma hora espalhou-se para o Zone41 e para o Planet Geek.Trata-se de uma conferência sobre relações públicas e os blogs, patrocinada pela Unicer que pelos vistos foi descoberta por mim antes do tempo. Quando a vi ainda não tinha conteúdos finais e nem me apercebi ao certo do propósito.
A nmz.pt reagiu depressa e começou a preencher o site com o conteúdo final. Isto tudo em menos de duas horas, se não me engano.
Trata-se portanto de uma conferência onde se coloca a questão: “A blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as Relações Públicas?”
A conferência tem uma série de oradores interessantes Bruno Giussani , António Granado , Eduardo Correia , Luís Paixão Martins , Maria João Nogueira e Paulo Querido.
Os problemas surgem no que diz respeito ao timming, à altura da conferência e à forma como colocaram a pergunta. Em vez de se referirem à blogosfera como um possível problema para as empresas, porque é que não se referem à blogosfera como um desafio?
É um detalhe mínimo mas que influencia bastante a postura dos bloggers face ao evento.
Mas a minha pergunta é: a quem se dirige esta conferência? Não sei se os bloggers são o público principal que a Unicer está a tentar atingir. Afinal de contas é um evento marcado para uma tarde de quinta-feira (10 de Abril de 2008).
O site está previsto estar concluído esta sexta feira, dia 28. Parece-me um prazo muito curto para reunir inscrições, mesmo com a exposição que se tem visto nos blogs.
Da minha parte adorava estar presente, mas como outros bloggers que conheço: eu sou trabalhador a tempo inteiro.
Mas em geral, acho a iniciativa positiva. O meu medo é que a Unicer não consiga estimular o diálogo sobre a blogosfera por se referir a ela como um possível problema para as empresas. Vamos ser realistas, esta conversa não pode ser da Unicer, deve ser de todos.
E também não nos podemos esquecer que a Unicer está por trás do concurso de Super Blog da Super Bock. Novamente, foi uma incitiva que também deu os seus passos em falso.
Como última nota, agora já percebo a frase de Luís Paixão Martins no Lugares Comuns.
Ora a verdade é que, no contexto actual, este é um daqueles temas sobre os quais temos mais perguntas do que respostas.
Pois fiquem sabendo que a sempre atenta Joana Queiroz Ribeiro, da Unicer (LPM), nos vai dar a oportunidade de participarmos, em breve, numa ampla discussão sobre este assunto.
January 15th, 2008 — Relações Públicas
Confesso que já esperava não receber qualquer resposta de José Pacheco Pereira. No entanto acho positivo que um colega brasileiro tenha mencionado a tentativa de diálogo.
Pelo comentário do Paulo e através do Café da Manhã percebi que já não era a primeira vez que se tentava obter um diálogo construtivo do autor do Abrupto. E também me apercebi do apoio de outros blogs, como o Comunicação Empresarial. Sem esquecer a participação de outros bloggers nos comentários. ( 1gr de Algo publicado pelo Squeezy, e o Pedro Cavaco)
Além disso também notei que o Zone41 partilhou o post na selecção de Google Shared Items do Google Reader. E o post foi um dos mais lidos durante essa semana.
Posso não ter conseguido arrancar do Pacheco Pereira a vontade de discutir o tema e melhorar a Cultura de Blogue que temos. Mas acho que estes dados mostram que é importante fazer mais um esforço numa direcção diferente e mais receptiva ao diálogo: os bloggers.
Por isso a ideia agora é outra. Quero saber o que consideram que faz um bom blog ou que são boas práticas de blogging.
Escrevam nos vossos blogs um post com o título Cultura de Blogue, partilhem as vossas ideias e enviem-me um e-mail com o link. Gostava de receber o máximo de opiniões possível para depois juntar tudo num único post.
Não vou estabelecer prazos, vou apenas esperar até ter contribuições suficientes. Fico à espera de saber as vossas opiniões.
September 17th, 2007 — Blogging, Relações Públicas
We reach out to bloggers because we respect your influence and feel that we might have something that is “remarkable” which could be of interest to you and/or your audience.
É assim que começa o primeiro rascunho de um código de ética na relação com os bloggers, criado pela Ogilvy.
Pelo que li, o código baseia-se no pressuposto que a comunicação será feita por e-mail. Não contempla a participação da agência através de comentários ou de trackbacks para o blog.
Não sei se as agências portuguesas sequer contactam com os bloggers. Se calhar fazem-no e concentram-se na suposta “Lista A”.
September 5th, 2007 — Relações Públicas, press release
Hoje vou falar-vos de Merlin Mann e outros bloggers que eu coloco no topo da lista quando penso em influência na blogosfera.
Este Merlin não tem nada a ver com o rei Artur, mas pelo que li na biografia podia ter sido ele a arrancar a espada da pedra. Sempre o vi como simples e sincero, alguém que tinha ganho reputação através dos blogs e foi assim que chegou à fama de hoje.
Tem um blog e participa em programas onde aborda temas como a web 2.0 e a produtividade pessoal. O chamado culto Getting Things Done (GTD) de David Allen. Como resultado, as pessoas identificam-se com ele e atribuem-lhe um papel de autoridade em produtividade pessoal.
Recentemente, ele publicou esta foto.
If you want I can send over my blacklist of PR firm domains that I use to auto-delete messages;
Reparem ainda nos comentários. Um deles vem de uma blogger do website www.lifehacker.com, Gina Trapani. O lifehacker é o quinto nos rankings do technorati e aborda os mesmos temas que Merlin Mann.
Isto para dizer que estes e outros bloggers são inundados com e-mails de firmas de relações públicas. Mas não se tratam de jornalistas, são produtores de conteúdos que se apoiam na comunidade em que estão inseridos para procurar novidades. Também não têm os recursos para lidar com toda a informação que recebem, como acontece nas redacções.
Por isso enviar-lhes um press release por e-mail não vale de nada. Se não for apanhado pelo filtro de spam o destinatário trata de o apagar. E pior, começa a formar-se uma aversão compreensível aos profissionais de relações públicas.
Uma das formas de reagir a isto é repensar todo o modelo de press release. Orientá-lo completamente para as necessidades dos novos media. Outra opção é concentrar os nossos esforços em criar uma relação de confiança antes de sequer tentar enviar um comunicado.