origami crane

Também sobre a Associação de Bloggers

Para quem não tem interesse por blogs, basta dar um olho na pesquisa do technorati por associação de bloggers. Fica-se logo a perceber a ideia e algumas das questões que ela coloca.

Da minha parte, uma associação de bloggers terá todo o apoio. Mas por uma razão de sanidade mental tenho de colocar algumas perguntas incómodas.

No primeiro post do Bitaites sobre o tema explica-se bem as razões por trás do PTblogs e alguns objectivos da Associação.

Um deles é destacar os bons blogs, e isso passa por credibilizar os blogs como forma de comunicação. Para contrariar a perspectiva redutora que surgiu numa reportagem da Sic.

Segundo o website official, a PTBlogs tem também o objectivo de unir os bloggers.

proporcionando espaços de discussão e formas alternativas de transmitir uma mensagem que de outra forma seria dispersa e desagregada, ficando presa somente nos blogs individuais e iniciativas de cada um de nós.

Neste ponto começo a ter as minhas dúvidas, principalmente quando se começa a falar do “porquê” e “como”.

O “porquê” começa por ser simples, trata-se da reacção à perspectiva que os meios de comunicação têm dado dos blogs. Mas o que se quer é mostrar uma realidade diferente ao público geral.

E não sei até que ponto estamos a escolher a melhor forma de o fazer. Em Portugal temos uma tendência especial para criar associações, e ao mesmo tempo uma predisposição para desconfiar das associações.

Também não nos podemos esquecer que os blogs são dificeis de por em categorias ou caixinhas. Como é que a associação espera representar os respectivos bloggers?

Ainda não se falou de registar ou não a associação, mas se for feito surgem outros desafios: definir o conceito de blogger; a forma de eleger uma direcção; o financiamento; e até uma questão de privacidade para bloggers que querem pertencer à associação mas ter os seus dados protegidos.

Pode parecer-vos estranho, mas eu não estou contra a associação e apoio a iniciativa no que puder. Mas ao mesmo tempo sinto-me obrigado a apelar a alguma reflexão mais realista dado o entusiasmo. Com que se fala da iniciativa.

Na minha perspectiva, os blogs são importantes e interessantes em parte devido ao caos. E tentar trazer alguma estrutura pode limitar a dinâmica, mesmo que essa estrutura seja uma associação. Mais que não seja porque divide as águas em termos de bloggers associados e não associados.

iDJ - Os Novos Spin Doctors

Para que ainda não sabe ou apenas tem uma ideia vaga do que são spin doctors, recomendo novamente o podcast de Ira Basen - The Century of Spin.

Para quem se sente familiarizado com o conceito, a pergunta é : então de que modo é que a ideia de spin doctors pode afectar a blogosfera?

A minha proposta para responder pode ser exemplificada no relato que o Marco fez da exposição de Guillermo Habacuc Vargas.

Neste caso, foi proclamada a morte de um cão em nome da arte. Houve reacção dentro e fora dos blogs, até que se percebeu que a exposição era encenada e o cão era alimentado quando a galeria fechava. Neste caso os bloggers não tinham forma de confirmar a informação que recebiam e apenas a ecoavam com comentários pessoais.

Os bloggers são uma grupo muito variado, mas muitos não são formados em comunicação quanto mais jornalismo. Não quero dizer que esta característica seja essencial para ser blogger. O meu argumento é que um blogger com formação em jornalismo está menos vulnerável a técnicas de spin. Pelo menos em teoria, mesmo os jornalistas com anos de experiência fazem formação para lidar melhor com o spin.

A diferença principal entre o spin para jornalistas e o spin para bloggers esta na agenda e na pressão do ciclo editorial. Um jornalista tem prazos a cumprir, os bloggers só se apressam quando querem apanhar a onda de tráfego criada pela agenda da blogosfera.

Além disso, um blogger influente tem tendência a não se relacionar tanto com os relações públicas. Queixam-se principalmente de que os relações públicas lhes enviam material que não tem relevância para o seu blog. Curiosamente é uma das principais queixas dos jornalistas. Mas uma morada de e-mail é sempre mais fácil de bloquear do que um número de telemóvel ou de contacto com a redacção.

the science of musicAs formas de fazer spin para os bloggers vão passar por aproveitar os temas quentes da blogosfera ou por criar pseudo-eventos (como foi o caso da exposição de Habacuc). E por conhecer bem os bloggers influentes para lhes dar informação privilegiada e de confiança.

Este modelo de spin na blogosfera tem em conta o perfil dos bloggers como Information Jockeys. Uma ideia do Mário Andrade no MuioMuio.

O propósito de alguns blogs

Este post vem directamente do Bitaites, onde não se gosta de feeds.

Eu entendo muito bem a perspectiva que o post explica, mas há blogs que nem vale a pena ler através do firefox ou do internet explorer.

(Para quem está de fora, uma RSS Feed é uma forma de enviar os nossos posts aos leitores a partir do momento em que são publicados. Sem que o leitor tenha de visitar o nosso site.)

O que o Marco diz no Bitaites é que gosta de apreciar os blogs como um bom café. Com calma, paciência e aproveitando todo o design e outras opções do blog. Através da feed só recebemos mesmo o texto e algumas imagens que o acompanham.

Eu digo que depende. Há blogs que leio só pela feed, outros que visito de imediato para ler com calma e ver logo os comentários. E há outros blogs que eu “vou lendo”. Passo os olhos pelos títulos, vejo se tem algum interesse e passo à frente. Outros marco para ler mais tarde com calma.

Os Blogs Não São Todos Iguais

Há blogs que foram feitos mesmo para ser veiculo de uma feed rss. São comunicados de imprensa, novidades, promoções ou outro género de informação de consumo rápido. (Blogs fast-feed?).

Na minha lista de blogs favoritos tenho uns quantos que caem nessa categoria. A bd diária do dilbert, o indexed e até o lifehacker. Para este último, passo os olhos pelas novidades e marco os posts que quero ler mais tarde e com mais atenção.

A questão final para os bloggers é muito simples “que tipo de blog é que eu quero ter?”. Se vamos criar informação de consumo rápido não há mal nenhum disso, desde que seja uma postura assumida.