Ser relações públicas em Portugal significa arriscar. Arriscamo-nos a ser mal interpretados pelas pessoas ao dizer “sou relações públicas”. Ainda nos vêm como a personalidade das festas, aquele que conhece muita gente e de quem toda a gente gosta.
É uma visão redutora que infelizmente é muito comum. Ser Relações públicas é ser muito mais. Ser RP é ser perito em comunicação. Comunicação entre pessoas, empresas, grupos, meios de comunicação. É ter a dinâmica que nos permite gerir meios e canais de comunicação nos contextos mais variados.
Arriscamo-nos também a concorrer num mercado que ainda não actualizou a definição de relações públicas, a enviar curriculos para empresas que ainda não entendem o valor da profissão.
Em Portugal chega a ser raro encontrar anúncios de emprego que digam mesmo: Relações Públicas. Em vez disso, os anúncios aos quais podemos concorrer pedem webdesigners para gerir intranets, marketeers para acções de comunicação interna, jornalistas para trabalhar em newsletters. Temos de saber descodificar estes anúncios. E mesmo que o nosso currículo passe a primeira fase de selecção, é difícil transpor a barreira do senso comum que vê o RP como anfitrião de festas e outros eventos.
Também arriscamos a nossa carreira porque apostamos numa profissão que ainda não é devidamente representada e legislada. As associações de relações públicas que existem em Portugal estão adormecidas. Há poucos encontros e conferências que se dediquem apenas a Relações Públicas. Há poucas actividades destinadas a remediar a visão errada de RP que se generalizou e de que tanto nos queixamos.Mas ao mesmo tempo é arriscar numa profissão cheia de potencial e de oportunidades. A web trouxe um fôlego novo para as RP e a geração actual de profissionais tem a possibilidade de mudar o panorama por completo.
E não é difícil. Basta que os blogs cresçam, que surjam eventos de relações públicas que não venham mascarados como conferências de marketing. E acredito que isso vai acontecer quando deixarmos de esperar que as associações de RP portuguesas lutem por nós.









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Muito boa a abordagem Bruno. No Brasil temos um panorama semelhante, mas que vem se modificando, para melhor.
Conforme trecho de uma pesquisa realizada pela ABERJE no Brasil:
“Os dados do estudo apontam mudanças, tanto com relação à formação acadêmica dos profissionais que atuam na área, quanto à posição ocupada por eles no organograma, sinalizando que a Comunicação Corporativa tem tido importância cada vez mais estratégica nas organizações, ainda que os investimentos na área se mostrem tímidos diante do seu crescimento”.
Essa matéria está no blog.
Iniciativas como a sua de divulgar a profissão, enfatizando os benefícios que, nós relações públicas, podemos trazer às empresas, são contribuições notórias e que trarão bons frutos no futuro.
Valeu pelo post.
Desejo a você muito sucesso.
Abraços,
Juliano Melo.
Isto está a fazer-me recordar aqueles tempos em que a minha família n conseguia explicar o que era ser publicitário. Ou lá que diabo eu sou, ou era… ou já tenho raiva a quem seja.
Relações Públicas? Eu quando digo que é o que estudei a maioria diz “ai é”! E (eu acho) que ficam a pensar “o que é isso?”. Alguns ainda têm a coragem de perguntar.
Mas mesmo assim o que ultimamente tenho encontrado com frequência é pessoas que me dizem..
-”quero ser RP”. Ai sim? Então mas tu não estás na area de ensino?
- “Ya mas tenho organizado lá umas coisas na Associação de Estudantes, e acho que até tou a gostar daquilo”… hmmm então e diz-me lá que é um press release ou um press book (começando por coisas fáceis).. “hmmm pois não sei!! lolol”…
…Lá está a tal conotação que referes, e mto bem, no teu texto. Por acaso no Ensino Superior tinha uma professora que nos alertava constantemente para as conotações menos boas da profissão.
Dizes que não aparecem empregos a pedir RP? Olha que até aparecem, mas é só de nome! Pois na realidade pedem é comercias, mas para tornar o anuncio mais atractivo põem-lhe esse nome.
Para alterar o rumo que a profissão leva em Portugal, as iniciativas individuas, tal com este teu site, são muito importantes, mas sem dúvida que a mais importante seria mesmo a regulamentação da actividade pela legislação.
Pois é complicado! E em Portugal existe alguma associação? desconheço! Mas estou apenas no 1º ano!
E mesmo em referências europeias há pouco sobre a matéria, não fosse a escola americana, a desenvolver estavamos mal.
Pois, e os próprios, os tais que estudam e desenvolvem essa profissão também vão tendo vergonha de afirmar a designação “Relações Públicas”. Ao invés mascaram com nomes mais ou menos pomposos, mais ou menos batidos: “comunicação e imagem”, “comunicação institucional”, “comunicação externa” e outras que tal…Assim não vamos lá!
Bruno,
Comentando só o ponto da associação profissional, creio que há que fazer uma distinção clara entre associações de profissionais, associações de agências e associações de estudantes.
No nosso campo, a APECOM (www.apecom.pt) é a associação das agências e a APERPEC (http://aperpec.googlepages.com) é a associação dos estudantes. Há também a ARPP (www.ismai.pt/arpp) e a APCE (www.apce.pt) que de alguma forma cobrem as áreas dos profissionais.
O problema resulta do facto destas associações não terem graus de actividade semelhantes e de não existir uma cultura de partilha de informação e trabalho em conjunto. A Global Alliance (www.globalpr.org) , a federação mundial das associações de profissionais de RP, estima que em todo o mundo existam mais de 3 milhões de profissionais de RP dos quais só cerca de 10% é que estão filiados em associações profissionais.
Em síntese, acho que deveríamos exigir mais das associações profissionais. Claro que a diferença podemos fazê-la ao nível individual, mas a acção colectiva é insubstituível.
Concordo com a distinção João. Mas vou ser sincero, acho que ganhamos mais se todas se sentirem incomodadas por igual. As que estão inactivas porque precisam de acordar, e as activas porque se arriscam a cair em inércia.
Obrigado a todos os que acrescentaram a sua opinião ao post. Estou a ponderar seriamente dar mais relevo a este género de temas no blog.
Não pude deixar de ler este post.
Ainda estou no primeiro ano de RP mas rapidamente apercebi-me que a esmagadora maioria das pessoas que me rodeavam não faziam a mínima ideia do que consistia o curso no qual tinha entrado. Perguntavam-me sempre que eu dizia que estava em relação públicas, “O que vais fazer concretamente no futuro” ou os mais directos questionavam logo o que é isso…. e os que nada diziam apenas punham uma cara de quem não percebia nada e resmungava um “ahh”…
Depois de muitas vezes isto ter acontecido, apercebi-me de que era um problema geral e que sim, um rp era aquela pessoa que se encontrava à porta das discotecas a distribuir convites!! Quantas vezes nao ouvi um amigo comentar “aquele rapaz sabes, ah agora é RP do —”.
Ainda estou no início, mas já tenho a consciência de que a minha futura profissão precisa de ser acreditada a nível nacional. É acima de tudo injusto para os que tiram um curso superior serem igualados a meninos e meninas, que se encontram na sua adolescencia, a dar convites à porta das discotecas.
Este seria, sem dúvida, um tema que poderia dar mais relevo =)
Ainda estou no 1ºano de RP mas ,tambem já sinto que o meu curso é desconhecido por muitos que me rodeiam!!! sinto que têm em mente que a área das RP limita se ,apenas, á organizaçao de eventos,eventos esses que,para mim,a fim ao cabo nem são propriamente eventos….ou seja, realização de «festinhas de aniversários e blablabla» . A meu parecer somos mesmo caracterizados como «aqueles que só querem festas e boa vida» lol.
Bruno Amaral. Gostei da sua opinião. contudo escrevo, pelo facto de querer ser Relações Públicas e não saber onde me informar para poder dar o meu primeiro passo. Sou do Distrito de Braga e gostaria , se possível, que me desse todas as informações a esse respeito. muito Obrigada
PatriciaAlbino
Olá Patricia,
desculpa não te ter respondido mais cedo. Como diz a Susana de Carvalho, é difícil recomendar um percurso para a profissão de relações públicas. Eu segui pela ESCS para tirar o meu mestrado e pelo que conheço da Licenciatura a escola prima pela exigência e pelo esforço em manter os currículos actuais.
A Euprera (www.euprera.org) é uma associação interessante para se seguir e perceber qual é o rumo que a profissão está a seguir tanto na prática como na pesquisa académica.
Mas mais perto de Braga, sei que existe um curso de relações públicas e estratégia… se conseguir mais informação coloco aqui.
Olá a todos,
Parabéns Bruno pelo teu blog que vou acompanhando.
Quanto ao assunto “ser RP em Portugal” e no que toca ao ensino, o mais comum é encontrarmos cursos que logo à cabeça não assumem a expressão Relações Públicas. Esta desactualizado, não vende, é pouco abrangente… são as justificações.
Ainda dentro desta área – ensino – tenho estado presente quer em projectos de investigação, quer nas actividades da Euprera e…. sinto-me muito só em termos de presença portuguesa. Quer os profissionais, quer os académicos da área não aparecem. Importa dizer e fazer justiça a meia dúzia que esporadicamente aparecem ou escrevem papers. De qualquer modo, somos muito poucos e isso reflete-se na abrangência de, por ex., os autores que exploramos em aula. Deixando de lado os clássicos (em muitos casos, pobres) ficamo-nos pelo Grunig, por alguns espanhois e pouco mais. Falar de Heath, Vercic, Betteke, L’Etang, Tench, entre outros, é uma total novidade! É só olhar para as bibliografias que acompanham os programas das cadeiras de RP.
Na SopCom esta é uma área sem relevância, quase parente pobre! Não fazemos parte das ciências da comunicação.
Quando na formação inicial estamos assim….
Susana de Carvalho
Susana, infelizmente também sinto que Portugal precisa de dar um passo em frente e actualizar vários curriculos.
Foi uma das razões pelas quais optei por começar o novo blog, que já suscitou um diálogo bastante interessante entre o professor David Phillips e o Jim Gruning http://www.brunoamaral.eu/grunig-on-the-digitalisation-of-public-relations/
Boa tarde,
Consegui descobrir o blog por acaso, mas estou de facto muito interessa em contactá-lo.
O meu nome é Raquel Pires, sou assessora de imprensa e estou a concluir um mestrado em comunicação política. A tese vai incidir sobre a importância crescente dos assessores de imprensa no domínio das campanhas políticas em Portugal. Um dos capítulo iniciais será dedicado ao fenómeno das relações públicas/assessoria de imprensa em território nacional…mas estou com alguma dificuldade em encontrar estudos, artigos e textos que me possam ajudar a desenvolver esta temática inicial. Porventura pode ajudar-me?
Olá Raquel,
De facto há pouca coisa referente às RP em Portugal….. há uma tese DEA sobre “Porta-vozes” do prof. Rui Reis que apresenta um estudo bem interessante sobre o assunto. Para o contactar o melhor é tentar o INP ou a Parque Escolar, EP.
Susana
James Grunig on the Digitalisation of Public Relations
ooi bruno, estava pesquisando sobre o curso de relaçoes publicas e achei vc hehehe
Faço odontologia a 3 anos, vou parar esses semestre e começar relaçoes publicas mas estou com medo e gostaria de conversar com alguem que pudesse me ajudar a entender mais sobre a profissao e campo de trabalho, estou meia perdida e as vezes me bate um desespero hehehe. Se puder me adicionar no msn ellinpegoraro@hotmail.com
Claro que isso so vc tiver tempo e nao for te atrapalhar, se nao puder vou entender.
Muito obrigada!!