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Spin Doctors

Ira Basen, um jornalista da CBC News fez uma óptima reportagem sobre a definição de Spin Doctors.

Os seis episódios são longos, mas ao longos dos mesmos, Ira Basen explica o percurso das Relações Públicas em relação à política até aos dias de hoje. Vai ilustrando com exemplos e até excertos de entrevistas. Tanto de arquivo como feitas por ele.

 São seis episódios longos, mas que valem a pena.

Nos dias de hoje, coloca-se a questão do papel dos blogs nas técnicas de Spin.

Writer’s block e as pequenas armadilhas dos blogs políticos

Tenho andado bloqueado. Bloqueado no sentido em que não consigo escrever. A ideia está cá e ecoa por todo o lado, mas acho que me foge pela boca antes de chegar aos dedos.

Queria contar-vos como os políticos que querem ter blogs deviam ter assessores. Explicar-vos que não me parece possível escrever um bom blog, criar um bom diálogo online sem a ajuda de alguém que nos ajude a evitar algumas armadilhas.

E há várias armadilhas nos blogs. Estas armadilhas podem ser uma série de pequenas coisas que no seu conjunto minam a dinâmica do blog e o resumem a “mais um”. A primeira são as actualizações.

Um blog não é blog se não for actualizado com alguma regularidade. Não precisa de ser todos os dias, pode ser uma vez por semana, ou cada quinze dias. O importante é que a actualização não seja oca. Como publicar a agenda para o resto do mês. Isso pode ter interesse para alguns jornalistas mas os visitantes mais interessados vão sentir-se um bocadinho enganados.

Porque além de ser actualizado com alguma frequência, um bom blog dá algo aos leitores. Por isso é que os blogs como o lifehacker.com ou o copyblogger.com são tão populares. Um blog politico, escrito por alguém com intenções de ser eleito, terá de dar aos leitores uma amostra da personalidade do candidato. E isto não se pode resumir ao período eleitoral. Tem de ser um esforço continuo ou então cai em saco roto.

Há alturas em que temos assuntos e inspiração suficientes para encher vários posts. Se for possível devemos aproveitar para as alturas em que a inspiração não é tão abundante ou o tempo é mais escasso.

Outra armadilha é o plágio. Ou o lapso de mencionar devidamente as fontes. É outro erro que faz o leitor sentir-se enganado e pode gerar reacções bastante negativas. O caso de Luis Filipe Menezes já mostrou isso.

Um bom blog arrisca-se e aceita comentários. Coloca-se na ribalta, assume que se pode enganar e que está disposto a ouvir as ideias contrárias e a dar-lhes o mesmo destaque que dá às do autor. Nos casos em que se justifica o autor deve mesmo participar. Mas como é que se sabe quando um post e os seus comentários ultrapassaram os limites ? Para um leigo é difícil distinguir um debate de uma discussão acesa, da chamada flame war. Excepto nos casos mais óbvios. E como é que se apaga um fogo destes ? Depende dos casos, e é para isso que devia servir um assessor.

Porque um comentário deve ser analisado caso a caso. Por vezes é preciso perceber quem comenta e em que contexto da blogosfera se insere. Principalmente nos casos em que a pessoa também possui um blog. Não se esqueçam ainda que os comentários nem sempre surgem através do nosso blog. Alguns comentários são o eco que outro blogger dá do tema que abordámos.

Por isso é bom saber analisar o tráfego, encontrar as reacções que o nosso post teve na blogosfera. Também é importante analisar os temas que mais visitantes trouxeram ao blog e porquê. Um blog deve ser escrito sem pensar nas estatísticas ou no impacto do que escrevemos, mas isso não significa que se feche os olhos aos factos.

A agenda da blogosfera é um dos dados importantes quando se tem um blog. São os temas mais abordados do momento. Devemos saber quais são para o caso de serem relevantes ao nosso blog, ou para podermos oferecer uma alternativa, um ângulo de abordagem diferente.

Isto tudo é só uma síntese de alguns cuidados a ter num blog. Não só para candidatos a cargos políticos, mas para qualquer um que queira manter um blog. A diferença, é que na politica um blog tem repercussões diferentes. Pode marcar a diferença entre o primeiro e segundo lugar de uma candidatura.

No livro Blogues Proibidos referem-se vários blogs locais que influenciaram a acção das respectivas câmaras municipais. O mesmo potencial de comunicação aplicado em candidaturas pode ser mais eficaz ainda.

Contudo … Ter um blog vai implicar um poder de encaixe muito grande. Principalmente na política onde as caricaturas e os sketches abundam. É preciso saber ter sentido de humor, e saber manter a distância quando é necessário.

Por ser mostrar tão peculiar é que a política precisa de profissionais de comunicação. Os blogs são uma manifestação nova de cidadania à qual muitos dirigentes e candidatos não estão habituados. Cabe aos assessores e outros profissionais de comunicação estudar e participar no fenómeno para guiar os políticos que optem por essa via.

Com especial atenção a um detalhe: se um político optar por ter um assessor a ajudar no seu blog, o melhor a fazer é tornar isso claro desde o primeiro dia. Explicar qual é o papel do assessor e certificar os leitores que o assessor não será o autor dos textos.

Luis Filipe Menezes sabe o que é um blog

O que é discutível, é a ideia do que é um bom blog. Torna-se ainda mais difícil quando se trata de blog pessoais ou pior… blogs pessoais de políticos.

A entrevista está no Diário de Noticias.

Não vou repetir o que disse a Maria João sobre blogs e política. mas assim que puder, falamos aqui do que é um assessor e do seu papel quando lida com blogs.

Bruxelas na Blogosfera

Os comissários europeus adoptaram os blogues para opiniar opinar sobre os mais variados assuntos, desde as novas tarifas de roaming da UE à reforma do vinho. Margot Wallström, comissária para a Comunicação, foi a primeira a tornar-se bloguista.

Maria Luiza Rolim, no Jornal Expresso

Margot WallströmO artigo fala principalmente da Comissária para as relações institucionais e comunicação (Relações Públicas, no fundo), Margot Wallström. Os outros bloggers incluem o Comissário para a Ciência e Pesquisa, Comissário para o Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades, e a Comissária para a Agricultura e Desenvolvimento Rural.

Janez PotočnikVladimir ŠpidlaMariann Fischer Boel
Ao contrário daquilo que eu esperava, o design de cada blog é diferente do anterior e alguns apresentam funções distintas. Houve uma preocupação clara em disponibilizar a agenda dos comissários e em facilitar o contacto com os mesmos por parte da imprensa. Da mesma forma, alguns blogs chegam a apresentar os press releasses relevantes para a sua área.

Isto significa que com algum trabalho de pesquisa, os bloggers se podem tornar em repórteres deste nicho. Clarificando a informação, relacionando com outros factos e notícias.

A juntar a estes 4 blogs, temos ainda 3 representantes europeus. Malta, Estónia e Holanda. Estes blogs são escritos na língua de cada pais representado. Só o blog de Joanna Drake, a representante de Malta, tem simultaneamente uma versão em inglês.

Manuel Pinho tem um Consultor de Comunicação

No Correio da Manhã:

O ministro da Economia está a ter ajuda de um consultor em comunicação e marketing político para os casos que exigem maior atenção no contacto com a opinião pública. João Tocha, consultor da Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e do presidente da Liga Portuguesa de Futebol (LPF), assume uma posição muito clara sobre este relacionamento: “Sou amigo de Manuel Pinho e trocamos opiniões, mas não tenho nenhuma relação institucional [com o Ministério da Economia]“.

Tive conhecimento da notícia através do blog Tempo Actual.

Acho bem que um político tenha alguém a “guiá-lo”, mesmo que não seja numa categoria oficial. E vocês ?

Blogs Proibidos e Watch Dog à Portuguesa

Retomando o tema do último artigo. Já falámos da relação entre jornalistas e políticos e mencionámos o papel de watch dog que alguns blogs assumem. O número de casos semelhantes é tal que já foi escrito um livro sobre o tema.blogues proibidosChama-se Blogues Proibidos e foi Escrito por Pedro Fonseca.

Ainda não tive oportunidade de o ler. No entanto conheço alguns casos que são mencionados. Como o Freedom to Copy que foi mencionado neste blog.

O uso dos blogs como ferramenta de denúncia varia. Há quem opte pelo anonimato, outros blogs já existiam e agarraram uma oportunidade. Essa oportunidade pode vir de fonte legítima ou não. Suponho que para um blogger comum não seja fácil medir todas as implicações de uma fonte anónima ou com interesses pouco claros.

Fosse de que forma fosse… Estes blogs conseguiram dar exposição à informação obtida e levá-la aos jornais. Alguns dos casos que são mencionados no livro de Pedro Fonseca surgiram numa altura em que os blogs tinham pouca credibilidade. Suponho que tenha sido por isso que estas notícias chegaram à agenda dos media sem mencionar a fonte. Curiosamente, a maioria dos casos envolvia questões políticas.

Neste ponto, a única coisa que me preocupa é quem está por trás dos blogs anónimos. Nem sempre é um cidadão preocupado mas sim alguém com interesses mais básicos. Seja poder político, ganhos económicos ou algum tipo de vingança mais pessoal.

De qualquer modo os blogs estão a permitir uma cidadania e manifestação de opinião mais activa. É o fenómeno da web 2.0, é a literacia informática a alargar cada vez mais a liberdade individual de expressão.

Infelizmente, a postura de cidadania online responsável tem tido dificuldades em marcar posição nos blogs.

blog cibercidadania do Expresso, escrito por Paulo QueridoNão vou aprofundar o tema da cidadania online porque é extenso e já existe um blog onde é tratado regularmente.

Com tudo isto, a diferença entre jornalistas e bloggers tem vindo a esbater-se. Isto porque cada vez são precisos menos conhecimentos técnicos para comunicar com uma audiência bastante extensa.

Os candidatos políticos estão a ver-se forçados a sair do pedestal e a comunicar no mesmo nível dos seus eleitores e apoiantes. Não só nos blogs, mas também nas formas de comunicação semelhantes. Carmona Rodrigues é o exemplo disso, até agora foi o primeiro a tentar usar o twitter como canal de comunicação. Está a ter algumas dificuldades nesse campo, mas isso é tema para outro artigo.