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September 11th, 2007 — Comunicação Social, Relações Públicas, Web e Tecnologia
A base da chamada web 2.0 é a ideia de que toda a gente pode contribuir para os conteúdos que já existem e até criar novos. Esses conteúdos são tudo, desde fotografias, música, texto ou multimédia. Consoante os temas e os conteúdos em causa, formam-se comunidades, geram-se diálogos e a figura do editor e do gatekeeper perde força. A qualidade dos conteúdos é regulada pela comunidade.Questões como a escolha de produtos e serviços também se tornaram razão para debate e diálogo alargado. Comparamos preços e produtos, trocamos experiência e conhecimento a respeito das empresas. E foi aqui que o marketing começou a perder terreno para as relações públicas.
A diferença entre conversar com um vendedor e um cliente é óbvia. Geralmente identificamo-nos mais com o cliente e atribuimos-lhe um papel mais imparcial. Do vendedor esperamos que ele tente defender a qualidade do produto e justificar o preço. Além do mais, o vendedor nem sempre tem conhecimento de causa. Pode ter vendido várias unidades do produto e nunca o ter usado.
Isto passou-se durante muito tempo, quando a Rede ainda era jovem. O marketing tinha o seu campo garantido porque lida com as questões de posicionamento do produto, redes de distribuição, locais de venda, preço…
Neste novo clima de diálogo constante as relações públicas sairam dos bastidores. Tornaram-se mais importantes na decisão de compra. Entre as suas várias funções, as Relações públicas ocupam-se da imagem que a empresa e os produtos têm nos meios de comunicação, garantem que a informação que existe sobre os produtos é a correcta e ocupam-se de uma série de questões ligadas ao serviço pós venda.
Quando a Matell enfrentou uma crise criada pelo uso de tinta com chumbo no fabrico de brinquedos, foi necessário lançar uma comunicação sólida sobre o sucedido. Nos casos em que isso não aconteceu, a informação deflagrou pela web impulsionada por todos os que contribuem diariamente para a web 2.0.
Enquanto que o Marketing se ocupa mais das questões práticas, as relações públicas sempre tiveram o seu foco na comunicação. Entre as pessoas e com as pessoas. O novo perfil do consumidor tem uma preocupação maior com essas questões. Quer conhecer as empresas, os produtos e serviços. Para isso não se concentra nas mensagens que recebe da organização, que considera parciais à partida. Em vez disso dá mais importância ao que conhece de outros clientes, ao que lê nos jornais e à restante informação que lhe chegue de terceiros. Geralmente mais imparciais que os vendedores ou os marketeers.
Laura Ries soube sintetizar esta ideia muito bem quando defendeu as relações públicas em oposição ao marketing viral.
I am not passing on a self-serving message from a company. I am passing along an endorsement by the Wall Street Journal about a product. Big difference.
É frequente ouvir dizer que as empresas devem mudar o seu foco de atenção, do produto para o cliente.
Da mesma forma, o cliente mudou o seu foco de atenção. Concentra-se na mensagem que lhe chega da comunidade dá menos atenção ao que lhe diz o marketing e a publicidade.
August 7th, 2007 — Comunicação Social, Jornalismo
July 16th, 2007 — Blogging, Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas
Este post serve para reunir os 4 artigos que publiquei sobre o impacto dos Blogs na Política e nas Relações Públicas.
Qualquer comentário ou opinião que queiram expressar pode ser feito neste post ou no artigo original, a escolha cabe a cada um.
July 14th, 2007 — Comunicação Social, Relações Públicas
A Meios e Publicidade publicou uma notícia com o título Profissionais Chumbam Campanha Eleitoral de Lisboa.
Quanto ao que é dito, nenhum dos profissionais citado no texto mencionou que esta campanha chegou a usar o second life e o twitter como canal de comunicação. De facto f Foram iniciativas que tiveram pouco efeito. Excepto o Second Life que ganhou eco em vários blogs dando a conhecer a banda Produto Acabado.
Luis Paixão Martins optou por responder à notícia através do seu blog. Não encontrei reacções a essa notícia pelo google. Mas mais tarde surgiu outro post no blog com um e-mail de Jorge Marques da Strat.
Não sei quais são as dinâmicas por trás da notícia e das reacções à mesma. Mas a LPM teria beneficiado mais em apresentar argumentos opostos e que complementassem a notícia.
Se o tivesse feito, teria mostrado profissionalismo e incentivado o diálogo. De certeza que Luis Paixão Martins teria sido capaz de se destacar como mediador desse mesmo diálogo. Em vez disso, perdeu a oportunidade e mostrou os atritos que existem entre a LPM e outras empresas de Comunicação.
[update: clarifiquei o segundo parágrafo. A iniciativa do second life não fez parte da campanha eleitoral mas surgiu na mesma altura]
July 11th, 2007 — Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas, política
Retomando o tema do último artigo. Já falámos da relação entre jornalistas e políticos e mencionámos o papel de watch dog que alguns blogs assumem. O número de casos semelhantes é tal que já foi escrito um livro sobre o tema.
Chama-se Blogues Proibidos e foi Escrito por Pedro Fonseca.
Ainda não tive oportunidade de o ler. No entanto conheço alguns casos que são mencionados. Como o Freedom to Copy que foi mencionado neste blog.
O uso dos blogs como ferramenta de denúncia varia. Há quem opte pelo anonimato, outros blogs já existiam e agarraram uma oportunidade. Essa oportunidade pode vir de fonte legítima ou não. Suponho que para um blogger comum não seja fácil medir todas as implicações de uma fonte anónima ou com interesses pouco claros.
Fosse de que forma fosse… Estes blogs conseguiram dar exposição à informação obtida e levá-la aos jornais. Alguns dos casos que são mencionados no livro de Pedro Fonseca surgiram numa altura em que os blogs tinham pouca credibilidade. Suponho que tenha sido por isso que estas notícias chegaram à agenda dos media sem mencionar a fonte. Curiosamente, a maioria dos casos envolvia questões políticas.
Neste ponto, a única coisa que me preocupa é quem está por trás dos blogs anónimos. Nem sempre é um cidadão preocupado mas sim alguém com interesses mais básicos. Seja poder político, ganhos económicos ou algum tipo de vingança mais pessoal.
De qualquer modo os blogs estão a permitir uma cidadania e manifestação de opinião mais activa. É o fenómeno da web 2.0, é a literacia informática a alargar cada vez mais a liberdade individual de expressão.
Infelizmente, a postura de cidadania online responsável tem tido dificuldades em marcar posição nos blogs.
Não vou aprofundar o tema da cidadania online porque é extenso e já existe um blog onde é tratado regularmente.
Com tudo isto, a diferença entre jornalistas e bloggers tem vindo a esbater-se. Isto porque cada vez são precisos menos conhecimentos técnicos para comunicar com uma audiência bastante extensa.
Os candidatos políticos estão a ver-se forçados a sair do pedestal e a comunicar no mesmo nível dos seus eleitores e apoiantes. Não só nos blogs, mas também nas formas de comunicação semelhantes. Carmona Rodrigues é o exemplo disso, até agora foi o primeiro a tentar usar o twitter como canal de comunicação. Está a ter algumas dificuldades nesse campo, mas isso é tema para outro artigo.
July 10th, 2007 — Comunicação Social, Jornalismo
No Blogue LPM
“Eu defendo que a assessoria de imprensa deve ser feita por antigos jornalistas. (Porque) é mais fácil um antigo jornalista estar disponível para perceber quais são as questões éticas no jornalismo do que uma pessoa que não tenha experiência. (…)”
Eu defendo que os relações-públicas devem ter formação em jornalismo e ética da comunicação social. Como acontece no ISCSP.
Os antigos jornalistas a praticar funções de assessoria têm sempre de se defender das acusações de falta de transparência e parcialidade.
July 10th, 2007 — Blogging, Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas, Web e Tecnologia
Como tudo, a política traduz-se num campo de influências. Existem negociações, troca de favores, lobbies, grupos de pressão (stakeholders), parcerias e oposições. Por estarmos de fora, só conseguimos ver o resultado do que se passa nos bastidores.
Os jornalistas têm de lidar com os políticos e servir de intermediário entre eles e o público em geral. No entanto, por várias razões que se prendem com a relação do jornalista com as suas fontes, há informação que não chega ao público.
Seja porque pode prejudicar a relação com a fonte e impedir o acesso a informação no futuro, porque tornando-se conhecimento público causa mais mal do que bem … as razões são muitas.
Então e os blogs ?
Não vamos tentar explicar estas dinâmicas. Em vez disso vamos contrapor a este clima de simbiose o papel dos bloggers. Como parte da sociedade, um blogger pode assumir um papel semelhante ao do jornalista. Com a diferença de que o blogger trabalha geralmente po
r conta própria e não está sujeito às mesmas pressões que um jornalista.
No Reino Unido, dado o sensacionalismo de alguns jornais, existe um fenómeno de watch doggery. Os políticos são observados atentamente pelos jornalistas, que se apressam a divulgar qualquer falha.
Em Portugal encontramos a postura de watch dog quando olhamos para alguns blogs. Já houve várias notícias de primeira página que originaram em posts ou comentários.

O livro de Daniel Cornu, “Jornalismo e Verdade” ajuda a perceber parte deste clima de informação. O autor coloca questões interessantes, mas pode deixar o leitor num clima exagerado de Teorias da Conspiração.
No entanto, Daniel Cornu não contempla o papel dos blogs.