Entries Tagged 'Blogging' ↓
January 7th, 2008 — Blogging, Relações Públicas
O último artigo sobre a blogosfera que li no Abrupto incomodou-me apartir do momento em que só conhecia o título. Não o posso esconder e fui sincero desde que comecei a ler as reacções (ainda não tinha lido o artigo).
Depois de ler o artigo, mantenho o meu comentário inicial no blog A Educação do Meu Umbigo. Mas ao mesmo tempo não quero prolongar o clima que se vê entre o Abrupto e os blogs. Acho que está na altura de mudarmos todos a postura um bocadinho. Por isso optei por escrever a seguinte Carta Aberta. Não passa de um convite ao autor, para assumir-mos o valor das suas críticas como começo de um debate construtivo.
Além de ser publicada aqui, a carta será enviada por e-mail. E se por acaso concordarem com o que consta no texto, terei todo o gosto que a copiem e re-publiquem. Mesmo sem nome ou sem link para o post original. Isto porque o objectivo principal é mostrar uma blogosfera que raramente é retratada pelos meios de comunicação. Interessada, baseada no diálogo e na discussão dos diferentes temas.
Caro José Pacheco Pereira,
escrevo-lhe este e-mail, uma carta aberta que vou publicar, porque acho que está na altura de quebrar os atritos que existem entre o Abrupto e uma série de outros blogs. Para isso, gostava de o convidar a esclarecer alguns pontos que o seu artigo no jornal O Público me faz questionar.
Sinto que algumas das críticas que faz aos blogs já não são novas. E apesar de achar que a sua ideia de cultura de blogue nacional é negativa, identifico-me com ela num campo diferente que temo não conheça.
Achei interessante o paralelo entre a sua visão dos blogs e a opinião de Eça de Queiroz face aos jornais. No entanto, em ambos os casos parece-me que se tratou da inserção de um novo meio de comunicação na sociedade. Dado que aponta tantos erros, falhas e até influências negativas aos blogs, o que é que propõem para mudar a situação?
Do lado dos blogs encontro uma série de publicações que o senhor provavelmente desconhece. Refiro-me a blogs temáticos, ou até mesmo blogs pessoais, que dão a alguns temas tratamento digno de jornalismo online. São blogs que estimulam o diálogo e onde eu nunca vi a postura elitista que descreveu como um dos problemas da blogosfera.
No meu blog fala-se de relações públicas, e chego mesmo a defender que os bloggers devem assumir uma postura ética. Que devem até ter uma noção da sua responsabilidade social. E sinto-me confortável para falar do tema por uma razão simples. Porque sei que serei contestado se disser algo falso, se adoptar uma postura menos correcta ou se alguém encontrar falhas nos meus textos. É para isso que servem os comentários no meu blog.
Até agradeço que me digam que estou enganado. É dessa forma que se gera diálogo à volta de um post e se aprende qualquer coisa. É algo que se aproxima do método cientifico que Karl Popper propunha.
Como o meu há outros blogs que se esforçam por melhorar a blogosfera. Seja pelo incentivo de boas práticas, ou apenas pelo exemplo. Mas sempre com uma postura positiva. Como eu, estas pessoas vêm os blogs como uma nova forma de influência com os seus pontos positivos e negativos. Semelhantes aos jornais, mas com a diferença de que a publicação e a contribuição está ao alcance de todos. Não se trata apenas de criar conteúdo mas de contribuir para uma cidadania online.
Dentro desta categoria de blogs, acho que há alguns que é capaz de apreciar. Como o Obvious, Na Web 2, o Café da Manhã, o blog do Luis Soares, Pedro e o Blog. Isto para nomear apenas alguns que imagino estarem fora da blogosfera que conhece. Uma visita a redes de blogs como a Tubarão Esquilo, o Planet Geek e o Prt.Sc podem dar-lhe uma série de novas perspectivas.
Mas mesmo que não chegue a dar a devida atenção a estes ou outros blogs, gostava de saber que sugestões faz à blogosfera. De que modo é que os blogs se podem tornar utéis à sociedade portuguesa? Confesso que esta pergunta não é inocente. O blog Abrupto exerce uma influência bastante grande na blogosfera. isso é inegável. A minha pergunta surge porque nele só o vejo a publicar críticas pesadas.
Essas críticas são válidas mas temo que não surtam o efeito que deseja. Pelo contrário, acho que até prejudicam. Digo isto porque há muitos leitores do Público que não se interessam por blogs. E a única perspectiva que recebem dos mesmos vem dos artigos de opinião que nele publica.
Mas acho que o problema não termina aqui. Dada a perspectiva que transmite aos seus leitores ser assim tão parcial, dificulta os esforços de outros bloggers. Eles concordam com muitas das criticas que coloca à maioria dos blogs e assumem uma postura proactiva.
Esforçam-se bastante por produzir conteúdos de qualidade e por participar nas redes sociais de modo consciente. Aceitam e debatem as criticas que lhes são feitas. Pesquisam e confirmam os factos antes de os publicar, ou pelo menos assumem à partida quando os mesmos são duvidosos.
Espero que este texto sintetize bem a blogosfera que eu conheço. Fico a aguardar uma resposta sua a este e-mail, ou até mesmo uma resposta através de um comentário ao post que vou publicar.
Tenho a certeza que ao fazê-lo irá encontrar uma série de novos blogs e uma postura diferente àquela que está habituado a ver por parte de outros bloggers.
com os melhores cumprimentos,
Bruno Amaral
January 4th, 2008 — Blogging, Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas, gestão de crise, público externo
O Carlos Duarte mostrou-me este post:
Automakers Blog to Make Their Point, Connect With Customers
When Chrysler CEO Bob Nardelli didn’t like the negative stories being written about the automaker in the business press over the past couple of weeks, he didn’t write nasty letters to the editor that may or may not have been published. He didn’t call a press conference to discredit the reports.
He blogged.
Muitas companhias não chamam os jornalistas à atenção quando estes cometem erros ao publicar notícias. Medem o peso da publicidade negativa e só recorrem ao direito de resposta quando acham que vale a pena.
A razão para fazer isto é porque não querem hostilizar os jornalistas. Temem que estes reajam mal ao ser chamados à responsabilidade e não publiquem mais notícias a respeito da empresa.
Já os bloggers têm tendência a mostrar uma postura diferente e mais positiva.
Dai que esta medida da Chrysler possa ser bastante arrojada. Não por se apostar nos blogs, mas por se colocar os jornalistas fora da equação. Alguns podem ver essa atitude como sinal de agressividade.
No mesmo artigo, fala-se da postura do relações-públicas da Chrysler:
Actually, the first blog Chrysler launched is The Firehouse, named after The Firehouse pub Chrysler operates during the Detroit auto show press days. Initially, it was mainly devoted to the viewpoints of one employee: Jason Vines, the company’s public-relations vice president who recently resigned apparently due to disagreements with Nardelli. Vines always enjoyed wrangling with journalists and others around what Chrysler was doing, what its executives were saying and what was developing in the industry, and The Firehouse – an invitation-only blog aimed at news-media representatives – gave him an unprecedented platform.
December 12th, 2007 — Blogging
Confesso que fiquei surpreendido quando vi a nomeação deste blog, para melhor blog geek.
Não só porque invejo a categoria de melhor blog na categoria de Educação, mas também porque não imaginava que sequer me iam nomear.
E partilho o mesmo sentimento que o Ricardo, estar nesta lista, por si só já é bastante.
November 29th, 2007 — Blogging, Comunicação Social, Jornalismo, Relações Públicas
Para que ainda não sabe ou apenas tem uma ideia vaga do que são spin doctors, recomendo novamente o podcast de Ira Basen - The Century of Spin.
Para quem se sente familiarizado com o conceito, a pergunta é : então de que modo é que a ideia de spin doctors pode afectar a blogosfera?
A minha proposta para responder pode ser exemplificada no relato que o Marco fez da exposição de Guillermo Habacuc Vargas.
Neste caso, foi proclamada a morte de um cão em nome da arte. Houve reacção dentro e fora dos blogs, até que se percebeu que a exposição era encenada e o cão era alimentado quando a galeria fechava. Neste caso os bloggers não tinham forma de confirmar a informação que recebiam e apenas a ecoavam com comentários pessoais.
Os bloggers são uma grupo muito variado, mas muitos não são formados em comunicação quanto mais jornalismo. Não quero dizer que esta característica seja essencial para ser blogger. O meu argumento é que um blogger com formação em jornalismo está menos vulnerável a técnicas de spin. Pelo menos em teoria, mesmo os jornalistas com anos de experiência fazem formação para lidar melhor com o spin.
A diferença principal entre o spin para jornalistas e o spin para bloggers esta na agenda e na pressão do ciclo editorial. Um jornalista tem prazos a cumprir, os bloggers só se apressam quando querem apanhar a onda de tráfego criada pela agenda da blogosfera.
Além disso, um blogger influente tem tendência a não se relacionar tanto com os relações públicas. Queixam-se principalmente de que os relações públicas lhes enviam material que não tem relevância para o seu blog. Curiosamente é uma das principais queixas dos jornalistas. Mas uma morada de e-mail é sempre mais fácil de bloquear do que um número de telemóvel ou de contacto com a redacção.
As formas de fazer spin para os bloggers vão passar por aproveitar os temas quentes da blogosfera ou por criar pseudo-eventos (como foi o caso da exposição de Habacuc). E por conhecer bem os bloggers influentes para lhes dar informação privilegiada e de confiança.
Este modelo de spin na blogosfera tem em conta o perfil dos bloggers como Information Jockeys. Uma ideia do Mário Andrade no MuioMuio.
September 17th, 2007 — Blogging, Relações Públicas
We reach out to bloggers because we respect your influence and feel that we might have something that is “remarkable” which could be of interest to you and/or your audience.
É assim que começa o primeiro rascunho de um código de ética na relação com os bloggers, criado pela Ogilvy.
Pelo que li, o código baseia-se no pressuposto que a comunicação será feita por e-mail. Não contempla a participação da agência através de comentários ou de trackbacks para o blog.
Não sei se as agências portuguesas sequer contactam com os bloggers. Se calhar fazem-no e concentram-se na suposta “Lista A”.
September 5th, 2007 — Blogging, Relações Públicas, press release
In the past I’ve written about blogger relations offering tips on how marketers or PR professionals ought to present their story ideas to bloggers. Pitching bloggers and print journalists are somewhat similar, but in the end, they can be very different things.
Here are a few “what you should not do” tips based on the 3-5 pitches per day we get at Online Marketing Blog
Em geral, o truque é personalizar a comunicação o melhor possível. A maioria dos bloggers não depende do blog que edita para sobreviver. Acho que em Portugal ainda ninguém chegou a esse ponto. Por isso olham para este tipo de contactos de uma forma diferente dos jornalistas.
O link chegou-me por e-mail graças ao António Dias, do Marketing de Busca.
August 28th, 2007 — Blogging, Relações Públicas
Já se falou bastante do caso de Luís Filipe Menezes (LFM), de como o conteúdo do blog era em grande parte cópia directa da wikipédia. Ficámos ainda a saber que tinha um assessor a ajudar na gestão do blog.
Num post anterior, já expliquei porque é que um assessor pode ser útil neste género de blog.
Mas então o que é que falhou ?
Para começar a existência de um assessor não devia ser surpresa. Bastava uma página onde se apresentasse o perfil de LFM e os nomes da sua equipa com as respectivas funções.
Mas no conjunto, esse é apenas um detalhe da polémica. Do ponto de vista da comunicação o blog é pouco eficaz.
Com a actual disposição dos conteúdos até se torna difícil ler os artigos. Os conteúdos da barra lateral, como é o caso do arquivo, blogroll e outros links do autor, surgem no rodapé. E mesmo a escolha dos conteúdos mostra um distanciamento enorme entre LFM e os seus apoiantes.
Por vezes, LFM apresenta os e-mails que recebe dos seus apoiantes. Mas não lhes dá mais do que isso, não agradece o apoio, não esclarece algum detalhe, não acrescenta nada de novo, não comenta. Torna o blog muito unilateral. E o que faz um bom blog é o incentivo ao diálogo.
Eu sei que já proclamei a morte do blogroll. Mas no caso de um blog como o de LFM até fazia sentido ter alguns links para outros blogs políticos. O que não faz sentido é ter um blogroll muito longo a criar ruido na página principal, como era o meu caso.
A própria concepção dos conteúdos mostra falta de cuidados, como ficou provado. Mesmo que os posts fossem devidamente identificados como conteúdos da wikipédia, mostram pouca preocupação.
Optando por citar a wikipédia, o modelo ideal seria citar uma parte do texto. No final colocava-se um pequeno comentário construtivo ou relacionava-se com um tema mais actual.
Tomando por exemplo o Bombardeamento de Hiroshima:
Na manhã de 6 de Agosto de 1945, a Força Aérea Americana largou a arma nuclear Little Boy na cidade de Hiroshima (Japão), à qual se seguiu, três dias mais tarde, a detonação da bomba Fat Man sobre Nagasaki.
O aniversário do bombardeamento ganha mais importância ainda se tivermos em conta a questão nuclear no médio oriente.
A citação está devidamente identificada pelo design, há um link para a página original, coloca-se um comentário e da-se ao visitante mais informação opcional.